Brasileiros mais endividados
Menos brasileiros têm conseguido pagar suas contas. A afirmação pode ser constatada pela divulgação ontem do Indicador Serasa Experian de Perspectiva da Inadimplência das Empresas. Em outubro foi registrada queda de 1,5% no índice com relação a setembro, mas houve uma elevação de 23% no acumulado dos dez primeiros meses do ano na comparação com o mesmo período de 2010. É um dado preocupante porque vem seguido por um grande crescimento mas, na avaliação de especialistas, a tendência é de reversão do cenário.
Tradicionalmente o consumo aumenta no último trimestre do ano, favorecido pela injeção do 13º salário na economia e com as festas de final de ano. No entanto, é preciso atenção e, neste ponto, é que deve entrar a educação financeira. A questão deve ser tratada desde cedo com as crianças. É importante que elas tenham contato com o dinheiro e saibam conhecer o seu valor. No entanto, não é isso que tem ocorrido. Em muitos aspectos, novos hábitos da vida moderna acabam por estimular o consumismo.
As crianças passam muito tempo em frente à televisão e são bombardeadas pelas propagandas. Além disso, os próprios pais, na tentativa de proporcionar o melhor para seus filhos, acabam por incentivar a prática. E esse falta de controle, que começa cedo, leva seus efeitos para a vida adulta. Muitos consumidores aderem rapidamente a financiamentos e parcelamentos ''a perder de vista'', não se preocupando com o valor final pago pelo produto. A conta feita é apenas para calcular o valor da parcela mensal dentro do orçamento.
No entanto, é imperativo o estímulo ao consumo consciente. É interessante também para o setor produtivo que os consumidores comprem apenas o que cabe no seu orçamento e tudo tenha planejamento. Quanto menor o índice de inadimplência melhor para todos, principalmente para as empresas. Segundo a Serasa Experian, o índice caiu 0,3% em setembro, o primeiro recuo em 11 meses. Apesar da crise econômica, a avaliação é que a continuidade da redução da taxa Selic vai continuar a promover um barateamento do custo financeiro, o que certamente continuará a estimular o consumo.





