Não é de hoje que os brasileiros reclamam da má qualidade dos serviços públicos. Embora garantidos pela Constituição, direitos como saúde, educação, segurança e transporte são oferecidos à população de forma bastante precária. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Data Popular revela que a população prefere a melhora na prestação dos serviços à redução da carga tributária. Até há uma percepção que a vida melhorou, mas a maioria acredita que o avanço foi resultado do esforço pessoal e de Deus. Apenas 2% creditam o desempenho à atuação do governo.
Esse descontentamento, traduzido agora em estatísticas, reforça os argumentos dos brasileiros que tomaram as ruas em junho do ano passado. A partir do aumento da tarifa de transporte público em São Paulo, a manifestação cresceu e, junto com ela, outras reivindicações foram agregadas, justamente os itens abordados pela pesquisa. Agora, a menos de dois meses do início da Copa do Mundo e com o "aniversário" de um ano dos protestos, a situação pode piorar.
Além disso, pelo menos por enquanto não há uma percepção de que os candidatos irão apresentar propostas concretas para efetiva melhora da qualidade de vida da população. Os nomes já foram apresentados, mas os planos e projetos estão em segundo plano. Há um desejo de mudança que começa a ganhar corpo.
Os brasileiros estão cansados da violência, seja praticada por criminosos ou pela polícia; não aguentam mais assistir pessoas morrendo nas portas dos hospitais sem receber atendimento médico; crianças e adolescentes até frequentam escolas, mas estão longe de aprender o conteúdo. Nesta lista ainda pode ser incluído o transporte público, que têm altas tarifas e opera com ônibus cada vez mais lotados e um trânsito diariamente mais lento. Os problemas são recorrentes e resultado de anos sem qualquer investimento. Resta saber até quanto os brasileiros aguentarão essa situação.

mockup