Brasileiros ingênuos
Mais da metade dos consumidores brasileiros que responderam a uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) já foram vítimas de algum tipo de fraude nos últimos 12 meses. O número é muito alto, consideram os realizadores do estudo, feito em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). De acordo com especialistas das duas entidades, este percentual é muito alto.
O mais grave, é que muita gente nem havia se dado conta de que tinha sido vítima de algum "conto do vigário". Quando questionados, somente 28% responderam prontamente que haviam caído em algum tipo de fraude. O restante dos entrevistados só percebeu quando os pesquisadores fizeram perguntas estimulando as situações de fraude.
O estudo foi realizado com moradores das 27 capitais brasileiras, com idade igual ou acima a 18 anos, de ambos os sexos, de todas as classes econômicas e que possuem renda própria.
Os golpes mais citados pelos consumidores foram propaganda enganosa (31%), entrega de um serviço diferente do que foi inicialmente contratado (21%), dificuldades de acionar a garantia após a compra de um produto (12%) e problemas com combustível adulterado (10%). Também foram citados em menor frequência as fraudes com cartão de crédito (5%) e o golpe da pirâmide financeira (5%).
É provável que esses números sejam reflexo de um comportamento não muito cuidadoso do consumidor brasileiro. O próprio estudo classificou as vítimas entre pessoas de alto, médio e baixo risco. E somente 17% têm um comportamento cuidadoso.
Mas o que é uma conduta cuidadosa? O velho ditado, "confiar desconfiando" pode ser uma boa lição. Conhecer a reputação da loja deve ser uma saída, assim como exigir notas fiscais e ler os contratos e garantias antes de assiná-los.
Outro problema: o brasileiro desconhece os seus direitos e as obrigações que as empresas e órgãos públicos têm em relação aos consumidores. Essa conduta acaba estimulando os golpistas, que ficam impunes e ganham dinheiro a custo da ingenuidade das pessoas.





