Curitiba - Quando o consumidor passa pelas gôndolas do supermercado, enchendo o seu carrinho, muitas vezes não tem tempo para pensar no que está levando para casa. Mas estudos de órgãos especializados comprovam que cada vez mais os alimentos industrializados estão sendo ''contaminados'' com matérias-primas modificadas geneticamente. São os famosos transgênicos. Se, por um lado, a lembrança do consumidor falha na hora de fazer as compras, por outro, a postura adotada por ele é enfática quando se fala explicitamente sobre o assunto. O consumidor não quer transgênicos na sua mesa.
Uma pesquisa feita pelo Ibope no ano passado, mostrou que 74% dos brasileiros não querem consumir produtos que tenham em sua composição algum elemento geneticamente modificado. Mas na contramão do desejo do consumidor, muitas indústrias insistem em utilizar soja e milho modificados. As dúvidas sobre o impacto do produto transgênico no organismo humano e na natureza são os motivos que levam a maioria da população a rejeitar o avanço tecnológico.
Muitas indústrias alimentícias, no entanto, parecem ignorar o desejo do consumidor. A Organização Não Governamental (ONG) Greenpeace já descobriu pelo menos 30 produtos vendidos nos supermercados brasileiros que estão ''contaminados''. Entre esses produtos estão alguns muito conhecidos, como as almôndegas de carne da Perdigão, o sopão de carne com macarrão e legumes da Maggi e o Nestogeno, da Nestlé. E nem mesmo os animais ficam livres. A ONG já encontrou transgênicos na ração para gatos da marca Friskies e na ração para cães Bonzo, da Purina (Nestlé).
As empresas se defendem, na maioria das vezes, alegando que compram soja e milho somente produzidos no próprio País. Como o plantio de transgênico é proibido pela legislação brasileira, as empresas consideram que não podem ser consideradas culpadas e que os produtores é que estariam descumprindo a lei. Mas o Greepeace considera que a indústria alimentícia é tão responsável pela contaminação alimentar quanto o produtor que compra semente transgênica.
Para orientar o consumidor, o Greenpeace fez um guia. Nele é possível encontrar a relação de empresas que se comprometeram a fazer um controle rigoroso da soja e do milho que recebem, para evitar que grãos geneticamente modificados venham a ser usados nos seus produtos. A ONG procurou 78 indústrias e a maioria delas não garantiu fazer esse controle. ''Não podemos dizer que esses produtos são transgênicos. Mas afirmamos que essas indústrias não dão ao seu consumidor a garantia de não transgenia naquilo que estão produzindo'', diz a coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace, Mariana Paoli.
Ela diz ainda que não é possível saber ao certo quantos produtos transgênicos existem hoje no mercado brasileiro. ''Quase 70% dos produtos industrializados contém algum derivado de soja. Os produtos contaminados existem em função da clandestinidade da produção de transgênicos. Por isso é difícil saber quem está usando soja geneticamente modificada e consequentemente, quais e quantos produtos usam essa matéria-prima'', explica.
O guia do consumidor, composto pela lista verde - empresas que se comprometeram com o Greenpeace a não usar OGMs e seus produtos - e a lista vermelha - empresas que não dão essa garantia ao consumidor através da ONG - pode ser conferido no site www.greenpeace.org.br.

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