''A fome é um crime ético. Democracia e miséria são incompatíveis''. Essas foram as palavras de Herbert de Souza, o Betinho, no ano de 1993, quando criou a Ação da Cidadania contra Miséria e pela Vida. Projeto esse que tinha como objetivo, não só matar a fome dos 32 milhões de indigentes brasileiros, mas com amplitude buscava promover o indivíduo em todas as formas necessárias. Não era um movimento de assistencialismo, era o primeiro passo para um futuro melhor.
Isso foi proposto à sociedade e ela em seus mais diversos setores acolheu a idéia, houve uma participação efetiva, o que encheu ainda mais de esperança Betinho, que sonhava e queria tanto que a própria população brasileira transformasse esse país. E acreditava que era possível, pois para ele a sociedade tinha esse poder nas mãos. Era só lembrar o movimento pelas Diretas Já, o impeachment de Fernando Collor, eram exemplos mais que suficientes para provar que os brasileiros podiam fazer a democracia funcionar. Pois é, o tempo passou e abafou a euforia da Ação da Cidadania. Em 1997, Betinho se foi, e assim perdemos um grande homem, um ser humano com grande sentimento ético e ambição de mudança.
Atualmente a Ação da Cidadania está em funcionamento e as idéias de Betinho ainda estão vivas, mas nada do que ele desejava aconteceu. Por que será? Será que a sociedade quer de fato mudar esse Brasil? Esse país de contradições onde são produzidos alimentos suficientes para manter dois países mas supre a necessidade de apenas um terço de seu povo. Que país é esse? Onde vivemos? Como somos capazes de deixar isso acontecer? Os políticos todos omissos e a classe média deitada em berço esplêndido, na perfeita ordem e progresso que se propagavam no período da Proclamação da República. Sem falar, sem agir aceitamos a condição que nos é imposta. País subdesenvolvido com a maioria miserável. É isso que você quer?
Precisamos nos unir, juntar nossas forças para por em prática tudo o que Betinho sonhava. É difícil, mas com certeza é possível. Necessitamos rever nossos valores que foram se deteriorando pela banalização da fome, da corrupção e da violência. Só assim impediremos o suicídio social de nossa nação.
JOANA CAMPANA é estudante do 2º ano do ensino médio do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora em Cambé

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