Brasil, um novo agente de poder
Ao menos uma afirmação positiva foi ouvida no Fórum Econômico Mundial, em Davos: que o Brasil é um novo agente de poder, diante da crise financeira. Por extensão, toda a América Latina foi apontada como menos vulnerável à tempestade que assola o mundo. No caso brasileiro os otimistas são os próprios empresários do País que compareceram ao evento. Como as crises são geradas por focos de desconfiança, que vão se alastrando e ganhando volume, posições mais esperançosas contribuem para o restabelecimento da estabilidade.
O aspecto pouco entusiasmador é a previsão dos mais pessimistas de que o ano de 2009 será ruim para todos, e que o Brasil exportará menos, por conta da recessão dos importadores tradicionais. E como está havendo aumento das importações brasileiras, irá cair ainda mais o bom saldo do superávit, que tem sido um suporte garantidor de mais segurança nestes tempos de turbulência.
Na parte que corresponde à aquisição de equipamentos importados mais modernos para indústria e serviços, isto tem sido benéfico, por reforçar a capacidade instalada, melhorar a qualidade de produtos e baratear custos. Mas é evidente o prejuízo quando são importados em escala produtos similares fabricados no Brasil. A Europa levantou barreiras contra produtos chineses para o setor automotivo e voltou a dar subsídios agrícolas para a exportação. Nações vão se cercando de bloqueios e esta não é a melhor política, por estimular o robustecimento da crise. A restrição à entrada de estrangeiros, adotada por diversos países, é outra medida drástica, ocorrendo ainda o pior porque muitos deles são obrigados a retornar às origens, caso dos dekasseguis brasileiros. Davos acenou com o fortalecimento econômico do Brasil e de outros países emergentes, justamente em decorrência da crise financeira que está atingindo mais duramente os outros.
Uma vantagem do Brasil é que produz alimentos, e o mundo não pode dispensá-los. Mesmo com a diminuição das importações pelos compradores o consumo alimentar é uma necessidade que não tem alternativa, e sob esse aspecto o País está em posição de vanguarda. Dados do Instituto de Finanças Internacionais apontam que, apesar de tudo, as exportações brasileiras vão continuar se expandindo, embora em ritmo mais lento. A verdade é que, se existe uma onda avassaladora, também estão sendo levantados diques de contenção e estes devem valer alguma coisa. O homem, se é capaz de gerar grandes crises, pela aventura e pela ganância, é tambem capaz de engendrar fórmulas de solução.





