Brasil: terra das oportunidades
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de dezembro de 1996
Antoninho Marmo Trevisan 
As pequenas e médias empresas brasileiras devem se preparar. Há um movimento crescente de investidores internacionais que querem participar de empreendimentos aqui. Afinal, o que os donos de 2 trilhões de dólares de capitais financeiros que, como ciganos percorrem o mundo estão querendo das centenas de milhares de pequenas e médias empresas brasileiras? Estão de olho na estabilidade da nossa economia com taxa de inflação de Primeiro Mundo, que não deve ultrapassar os 6% ou 7% no ano que vem e, de quebra, sabem que o mercado brasileiro é ainda muito pouco explorado.
Com 60 milhões de brasileiros formando a população economicamente ativa, que mantêm e melhoram gradativamente sua renda, novas fábricas estão sendo atraídas para cá. Eles contabilizam os quase 5 bilhões de dólares que todos os anos os quase 2 milhões de cidadãos brasileiros espalhados pelo mundo remetem para cá. Esse é um potencial de intercâmbio comercial ainda inexplorado. O Brasil oferece a muitas empresas multinacionais de 10% a 40% dos seus lucros mundiais; a pequena e média empresa brasileira, já instalada, opera satisfatoriamente num mercado em desenvolvimento. Nesse cenário, aqueles investidores acreditam que, ao injetar capital e investir em tecnologia nos novos parceiros, eles multiplicarão de tamanho e seguramente valorizarão suas ações. Por isso, você, pequeno e médio empresário, prepare-se. Pense grande. Organize-se. Estabeleça metas, defina orçamentos, faça sua contabilidade de custos, calcule com precisão sua margem de lucro e não deixe de treinar seu pessoal. Um investidor quer empresas com sistemas implementados, métodos documentados e pessoal motivado.
Não deixe de cuidar da sua marca, trate seu consumidor com carinho, seduza-o com o produto que você fabrica e vende. Pare de achar que o Brasil é uma porcaria, que aqui nada funciona, que tudo vai mal. Faça uma lista das vantagens que usufruímos em relação, por exemplo, à Argentina, à China, à Rússia, ao Japão ou aos Estados Unidos. Lamente, isso sim, como certos países vivem problemas terríveis com guerras sangrentas, porque uns não concordam com a religião de outros ou porque um não suporta a cor do outro. Nos últimos anos, o Brasil está mudando para melhor. Debates sobre ética frequentam os meios universitários e sindicais. As organizações não-governamentais, as ONGs (a propósito, você está engajado em algumas delas?) se alastram.
Nossos filhos são bem melhores que nós. Vivamos a agradável sensação de pertencer a um país maravilhoso que os estrangeiros estão descobrindo com uma volúpia avassaladora. Não vamos continuar comentando as coisas tristes que temos sem mover uma palha para mudá-las. Ninguém mais acredita nelas, a não ser para levar vantagem. Nossos jovens estão disputando sua vaga nas faculdades para nos mostrar que não perderam a esperança. Amanhã eles vão lançar-se neste mercado desafiador. O novo milênio trará tantas oportunidades que não vai faltar trabalho pra gente que quer ir adiante. Vá em frente!
- ANTONINHO MARMO TREVISAN é consultor de empresas.


