Este ano nossa safra irá ultrapassar a 112 milhões de toneladas e estima-se que para o ano de 2005 estaremos com 150 milhões. Será possível? Em 1994 nosso país tinha uma produção de grãos que não ultrapassava a 50 milhões de toneladas e o depauperado produtor rural vivia brigando com os débitos agrícolas com gordurosas correções e cobranças indevidas em sua composição. Bastou uma ameaça da Reforma Agrária, como também, um aceno do governo em compor os débitos agrícolas para acordar de vez o produtor rural brasileiro.
Estima-se para este ano uma exportação batendo a casa dos 8 bilhões de dólares com a soja ultrapassando 50 milhões de toneladas, inclusive superando a exportação americana. A tecnologia desenvolvida pela Embrapa e Iapar credencia o Brasil a liderar as pesquisas no campo. Temos aproximadamente 50 milhões de hectares que estão sendo explorados pela agricultura e 100 milhões a iniciarem suas explorações. Isto poderá propiciar o triplo de nossa produção no agronegócio.
O crescimento no plantio de soja prende-se à desvalorização cambial e à baixa do produto nos estoques mundiais. Unidos com a tecnologia, o financiamento rural ultrapassou a 20 bilhões de reais. E o mais importante: o governo anterior trabalhou boa parte de sua gestão com pessoas que conhecem do campo como é o caso do ex-ministro Pratini de Moraes. Agora estamos contando com gente também do campo que é o atual ministro Roberto Rodrigues, o qual, até hoje, possui atividade rural no interior de São Paulo.
O milho não cresceu em área como a soja, porém, a tecnologia empregada no plantio irá propiciar um aumento de produtividade. Soja, milho, algodão, arroz, feijão e até mesmo o trigo estarão com perspectivas de crescimento no agronegócio. Este último concorrendo com o milho safrinha.
Bastou um incremento na atividade rural para que o setor passasse a representar 40% de nosso PIB. E junto com a produção de grãos cresceram a pecuária, avicultura e também a suinocultura, que ficou castigada pelo alto preço do milho no segundo semestre de 2002.
Quem duvida dos 150 milhões de toneladas de 2005 ou até 2006 é porque não está acompanhando as transformações do arenito pecuário paranaense em agricultura de milho e soja. O mesmo está ocorrendo no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul, com destaque para o Mato Grosso que será responsável por 25% da produção nacional.
Frise-se que este último estado já lidera na produção de soja, tendo inclusive estrutura de ferrovia e hidrovia para o escoamento. Por isso fica registrada nossa preocupação que, passado o efeito Iraque, a grande potência mundial poderá se voltar contra a produção agrícola brasileira, já que somos a última fronteira agrícola do mundo em crescimento.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista em Londrina

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