O Brasil não é apenas um grande consumidor de cirurgias plásticas. É, principalmente, uma referência mundial nessa área médica, ''exportando'' técnicas cirúrgicas para todo o planeta. Hoje, por exemplo, profissionais de mais de 50 países utilizam a técnica Avelar, desenvolvida pelo cirurgião plástico Juarez Moraes de Avelar, 55 anos, mineiro radicado em São Paulo.
Depois de anos de estudos da anatomia da pele e da gordura abaixo dela, Juarez Moraes de Avelar desenvolveu uma técnica que permite a retirada da pele excedente do abdômen e de várias partes do corpo sem cortar artérias e nervos. O médico explica que, dessa forma, evitam-se complicações que podem ocorrer nesse tipo de procedimento, quando as artérias, veias ou nervos são cortados durante a cirurgia clássica: morte da pele (necroses), infecções, embolia pulmonar e outras lesões vasculares. ''A nova técnica, além de permitir recuperação mais rápida, evita as temidas complicações'', avalia.
A técnica Avelar foi publicada em 1999 e, depois de apresentada em congressos nacionais e internacionais lançada no mês de setembro, no livro intitulado ''Abdominoplasty Without Panniculus Undermining and Resection'', (editora Hipócrates). Nele, o especialista brasileiro descreve minuciosamente a técnica, que já foi aplicada por vários cirurgiões mais de 2 mil pacientes.
Com 28 anos de profissão, autor de 13 livros e por duas vezes presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em 1986-87 e em 1990-91, Avelar dedica um capítulo de sua mais recente obra a considerações psicológicas a respeito do paciente no caso, de abdominoplastia (plástica de abdômen). Preocupado tanto com a qualidade dos resultados de uma intervenção cirúrgica quanto com a forma com que esses resultados possam afetar a auto-imagem do paciente, o médico acha fundamental que o cirurgião plástico considere mais além do que os aspectos físicos. ''As expectativas que as pessoas alimentam quando elas decidem corrigir algo que não as agrada em seu corpo é de extrema importância, fazendo do ato cirúrgico algo muito mais profundo do que o mero aspecto físico'', alerta. ''Além de reconstruir seu corpo, os pacientes desejam preencher alguma possível lacuna emocional e aumentar seu bem-estar'', acrescenta.
Estatísticas recentes mostram que o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas por número de habitantes. Em valores absolutos, fica atrás apenas dos Estados Unidos. Para Juarez Moraes de Avelar, isso acontece pelo fato de o Brasil ser um país tropical, de gente jovem e bonita. ''O paciente sempre busca ajustar à própria imagem aquilo que ele deseja ver em si mesmo. Além disso, a qualidade dos resultados da cirurgia plástica tem levado muita gente optar por ela'', observa.
Avelar apresenta três caminhos para o paciente na hora da escolha de um cirurgião plástico: ''Verifique a qualificação do médico, se é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o que significa que ele tem habilitação para realizar esse trabalho e acesso a informações atualizadas sobre o assunto; peça referências a médicos de outras especialidades; e converse com pacientes já operados pelo cirurgião plástico escolhido.

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