Brasil!!! Estamos melhorando

Arlindo Oscar Carelli
Dias atrás levei o carro para lavar e precisei que me trouxessem para casa. O moço que veio me trazer (parente do proprietário e que só por acaso me deu uma carona) comentou: ‘‘Você viu o caso do Pitta?’’ e ele mesmo respondeu: É por isso que eu já não voto há muito tempo’’. De pronto respondi que ele e quem age assim são os maiores responsáveis por acontecimentos tais como o ‘‘Pittagate’’. No passado eu fazia parte dessa turma do ‘‘não é comigo, não envolve minha família’’. Ledo engano. Direta ou indiretamente, estamos todos no mesmo barco.
Outra noite vi o curioso comentário do cineasta Arnaldo Jabor que, com muita propriedade, mostrou duas metades de uma maçã: uma podre e a outra boa. Dizia ele que a parte podre, até aquele momento, só cheirava mal e ainda era suportável, referia-se à questão da segurança no Estado do Rio de Janeiro e aos desmandos do governo federal, problemática esta que muitos teimam em não ver.
Recentemente estive no meu dentista e, sentado na cadeira, ouvi dele a pergunta: ‘‘E daí o Belinati, como vai sair dessa?’’ Eu disparei: ‘‘Ele vai responder por todas as suas ações frente ao cargo que ocupa, assim como aqueles já comprovadamente envolvidos’’.
Também comentei que ele poderia não ter tão atingido se ‘‘pessoas como nós se restringissem a comentar o assunto e nada de concreto fizessem para mudá-lo’’. No final da conversa, contudo, concordamos que, unindo forças, construiremos as mudanças que urgem.
Li no jornal as declarações do presidente da Câmara de Vereadores de Londrina referindo-se a quem deu entrada de novo pedido para instalação de comissão processante, como ‘‘grupelhos que não estão querendo deixar os vereadores trabalharem’’. São então grupelhos que estão agindo na defesa do bem público? Oitenta e tantas entidades representativas da sociedade civil são grupelhos??? Tenha a santa paciência!
Na manhã do último sábado, ouvi, na portaria do meu prédio, o desabafo de um condômino indignado com a corrupção generalizada que assola o país e sua colocação de que as coisas não mudam porque o brasileiro não sabe votar. Entendo a indignação dele, mas me permito colocar alguns pontos: O moço que me trouxe de carro é uma pessoa esclarecida e disse que não vota mais. O que esperar, então, dos brasileiros que vivem em condições desumanas, muitos sem emprego e alimentação digna? Como essas pessoas podem ter discernimento em suas escolhas? Do ponto de vista dos maus políticos o ideal é manter essa enorme massa à margem e sob seu cabresto.
O que faz do Brasil um gigante que vence todas as barreiras é a força de trabalho do seu povo e isso pode ser comprovado, em nível de Londrina, por exemplo, com a instituição do Hospital Universitário e do Hospital das Clínicas da UEL, entre outros. Nesses locais, verifica-se que, apesar da falta de recursos materiais, as pessoas trabalham e dão o melhor de si para atender a população carente e não fazem mais porque os orçamentos são deficitários.
Por que então tudo isso acontece? Porque, não bastassem as incestuosas privatizações tais como da Vale do Rio Doce, os constantes aumentos de impostos, pedágios absurdos, a CPMF que era para resolver o problema da saúde, ainda acontecem os casos AMA-COMURB. O brasileiro não sabe votar?
Estamos aprendendo. Uma pessoa que não tem atendimento adequado à sua saúde poderá ter acesso à educação? Entendo que as transformações de longo prazo só acontecem com a melhoria do sistema de ensino e o acesso das pessoas carentes a ele. Esse ensino, contudo, tem que ser de primeiro nível, com instalações adequadas, reciclagem dos professores, sua valorização, motivação e maciço investimento de recursos. As fontes existem, caso contrário, a corrupção não estaria nos níveis alarmantes em que se encontra (embora muitos ainda finjam não ver o que está escancarado à sua frente).
Somos um país jovem, aprenderemos a votar à custa de nossos próprios erros, pois é assim que realmente se aprende e se muda um país para melhor, varrendo dos cargos públicos a sujeira que prejudica o desenvolvimento, fazendo com que o que foi usurpado seja devolvido aos cofres públicos, mobilizando as pessoas com quem conversamos, pois a força unida não aceita resistência.
Mudaremos quando mostrarmos aos nossos filhos que ‘‘há um sentido mais profundo da vida. Que não é possível explicar por palavras, porque só chegará pela descoberta de cada um’’, trecho do artigo ‘‘Administrando superficialidades’’ do jornalista Walmor Macarini, publicado no último dia 2. Muito felizes também foram os seus artigos ‘‘Fiquemos atentos à anterioridade’’ e ‘‘Fazer as pazes com o dinheiro’’, publicados nos últimos dias 9 e 16 de março, respectivamente. Deus nos deu o poder da escolha e é com esse poder que plantamos o que queremos colher no futuro, jamais colheremos bons frutos plantando sementes ruins. É preciso que os ‘‘caras-pintadas’’, integrantes da próxima geração a governar nosso país, voltem a mostrar suas caras.
Nos elevadores do meu prédio tem um adesivo que diz: PÉS VERMELHOS MÃOS LIMPAS, que tal contaminar a cidade com esses adesivos? Demonstrar, com atitudes, de que lado estamos: se participando das mudanças ou nos omitindo das nossas responsabilidades enquanto cidadãos. Já dizia um sábio ‘‘É preciso que façamos somente nossa obrigação para que as coisas continuem como estão, é preciso muito mais do que isso para melhorar o mundo’’.
Não importa aonde consigamos chegar, importa sim o que estamos fazendo na travessia, o chegar lá é mera consequência. O moço que me trouxe disse, durante o trajeto, que no vidro traseiro do seu carro estava escrito BRASIL, QUE PAÍS É ESSE? e sugeri a ele que trocasse esta pergunta e a substituísse por: BRASIL! ESTAMOS MELHORANDO.
ARLINDO OSCAR CARELLI é empresário em Londrina

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