Brasil em estado de guerra e insegurança
Não há outro nome a se dar, ao que está acontecendo no Brasil, senão um estado de guerra. E não pela ação das forças de segurança em defesa de alguma eventual causa nacional, mas sob o comando de facções criminosas. O
resultado (até o momento em que este texto era escrito) era de 90 mortos, metade policiais e metade bandidos, estes formando a corporação que desde sábado deflagra uma sangrenta operação de extermínio de agentes da segurança no Estado de São Paulo uma ação terrorista que já assume proporções generalizadas e se dissemina pelos Estados de Mato Grosso e Paraná. A insegurança e o temor estão implantados, porque a matança de policiais continua, já havendo casos de barbarismo, como o de um delegado que teve o corpo incendiado e está hospitalizado em estado grave. O mais são incêndios de prédios de delegacias, destruição de viaturas, ameaças de explosão de bombas em aeroportos e shopings centers, estabelecimentos comerciais cerrando
as portas nas regiões conflitadas, escolas com aulas suspensas, ruas bloqueadas, agentes de segurança e cidadãos atemorizados, famílias enlutadas e perspectivas sombrias sobre o que irá acontecer nas próximas horas e nos próximos dias. O crime organizado mostra um poder tático que se desconhecia, e um macabro ideal, que não é o de matar para simplesmente apropriar-se de bens alheios ou sustentar um negócio (como o do narcotráfico), mas assumindo uma dimensão política com o
objetivo direto de aniquilar a estrutura policial humana e material e a sua moral. Tem havido um excesso de soltura de presos, até pela incapacidade de alojamento das cadeias. Fala-se em 50 mil bandidos em liberdade, no Brasil. Entre estes, os que agem no meio externo, sob as ordens que emanam de dentro dos presídios, onde estão os poderosos
chefões dos CCC. No dizer do padre Valdir João, coordenador da Pastoral Carcerária da Igreja Católica, na cidade de São Paulo, os bandidos ocuparam o espaço institucional que foi deixado pelo Estado. A situação reinante veio ressaltar o que se sabia: que as instituições não têm
estrutura que garanta a segurança dos seus próprios quadros e, por extensão, dos cidadãos. E não por falta de recursos mas de responsabilidade das instituições públicas compreedidas pelos três Poderes, distantes da preocupação com os problemas nacionais, o maior
deles o das misérias sociais, que têm um canal desembocador na violência e nos presídios abarrotados. A erupção que agora acontece era algo previsível e tem como principal agente a negligência
governamental.





