Assunto que não pode passar despercebido é o ranking anunciado no Fórum Econômico Mundial, recentemente realizado em Nova York, do índice de sustentabilidade ambiental estudado pelas Universidades de Yale e Columbia, em que o Brasil ocupa o 20º lugar, com nota 59,61 de Ranking Verde , à frente dos Estados Unidos, em 51º lugar, com a nota 52,8. Finalmente um resultado em que o Brasil não aparece tão mal, quanto de costume.
A 20ª posição entre 142 países, bem à frente dos EUA, é bem confortável. A nota divulgada para a seleta platéia do Fórum Econômico Mundial relaciona as nações do mundo segundo sua capacidade de legar um ambiente decente para as duas próximas gerações.
Vale lembrar que a primeira colocada foi a Finlândia, com a nota 73,7, segundo a Noruega com 72,2, confirmando a Escandinávia como bastião da mentalidade ecológica e da ação verde.
O último lugar é ocupado pelos Emirados Árabes Unidos, nota 25,3, e no penúltimo o Kuait, com 25,4, o que mostra que são destinados a países cuja economia é totalmente dependente do petróleo, vilão mor do efeito estufa, que lança dióxido de carbono no ar, reforçando o cobertor de gases que aprisiona radiação solar na atmosfera, aquecendo-a, como ocorre em uma estufa de plantas.
A classificação foi construída com base no índice de sustentabilidade ambiental (ESI, na sigla em inglês). Foi elaborado sob encomenda do Fórum, por grupos especializados das Universidades Yale e Columbia, ambas dos EUA. Entram na composição do ESI vinte indicadores, obtidos a partir de 68 variáveis separadas.
Pesam no índice desde informações ambientais propriamente ditas, como qualidade do ar e biodiversidade, até indicadores sociais (saúde e nutrição) e institucionais (capacidade do governo de melhorar os indicadores ambientais e sua participação em iniciativas internacionais) para melhorar a saúde do planeta.
O índice vai de 0 a 100, e o Brasil quase tirou 6, mas ficou três posições abaixo da Argentina (61,5). A Alemanha ficou com 52,1 e o Japão com 50,5. A verdade é que de nenhum país pode ser dito que se encontre numa rota de sustentabilidade ambiental. O Brasil é um dos mais regulares, é bom ressaltar.
As melhores posições decorrem do privilégio de contar com florestas, biodiversidade e água em abundância, mas também da ação governamental. Que o digam os países que se sustentam a duras penas para manter de pé o protocolo de Kioto, tratado internacional para combater o efeito estufa, abandonado pelo presidente americano George W. Bush.
Apesar de seu bom resultado, o Brasil não pode descuidar de sua saúde ambiental. Possui grande variedade de espécies animais e vegetais , boa reserva de água potável, mas peca ainda em questões como a poluição de nossos rios que recebem dejetos domiciliares e industriais, pois usinas, fábricas, hotéis, motéis, postos de gasolina, matadouros etc, ainda despejam seus resíduos em rios que muitas vezes abastecem populações. Também esgotos coletados e a céu aberto são lançados sem nenhum tratamento em rios e riachos.
A falta de saneamento, águas paradas, lixo acumulado em fundos de quintais, ainda são grandes responsáveis por endemias, como ocorre no presente momento com a epidemia de dengue no Rio de Janeiro e outras regiões do país.
Grande vilão da história é também o uso de herbicidas e inseticidas agrícolas à beira de mananciais de água onde não se respeita a preservação e o plantio de matas ciliares.
Vamos comemorar a boa colocação do Brasil no Ranking Ambiental, mantendo o sinal de alerta e incentivando o nosso povo para melhoria de nossa saúde ambiental, a fim de construirmos um Brasil Ecológico de verdade.
OSWALDO TREVISAN é ex-deputado federal e advogado em Cornélio Procópio

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