A visita oficial que o presidente da República da Índia, K. R. Narayanan, iniciará no Brasil amanhã poderá descortinar novos caminhos para integração dos dois países. Sua vinda é em retribuição à visita do presidente Fernando Henrique Cardoso à Índia, em janeiro de 1996. A visita do presidente da Índia celebra também o cinquentenário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, ocorrido em outubro de 1948.
Em 1968, a primeira-ministra Indira Gandhi visitou o Brasil e, na ocasião, foi assinado o primeiro acordo de cooperação cultural entre os dois países. Contudo, até a visita do presidente Fernando Henrique, pouco avanço ocorreu neste campo.
Após a visita do presidente brasileiro, que na ocasião assinou vário acordos, tais como a Agenda Comum Brasil-Índia para o meio ambiente e a Agenda Brasil-Índia para a cooperação técnico-científica, uma nova frente de intercâmbio se processou entre ambos os países.
Desde então, aumentou consideravelmente o número de empresários e autoridades indianas que vieram ao Brasil em busca de informações mais específicas sobre a realidade brasileira e empresários brasileiros demonstram interesse crescente pela Índia.
Em 1995, as exportações indianas para o Brasil atingiam o valor de 166 milhões de dólares e as exportações brasileiras para a Índia, 320 milhões. Já em 1997, o Brasil importou da Índia produtos no valor de 230 milhões e exportou 166 milhões de dólares. Até 1993 as exportações indianas para o Brasil eram insignificantes.
A estabilidade econômica promovida pelo Plano Real, associada ao desenvolvimento do Mercosul, atrairam as atenções do empresariado indiano, que hoje demonstra grande interesse pelo mercado brasileiro. Por outro lado, a abertura econômica da Índia nestes últimos cinco anos e o desenvolvimento de uma classe média indiana de quase cento e cinquenta milhões têm despertado a atenção de empresários brasileiros.
Além dos produtos tradicionais que a Índia tem exportado para o Brasil, como roupas, tecidos, pneus, incenso, medicamentos, artesanato, fibras ópticas, hoje há interesse mútuo entre o Brasil e a Índia para estabelecerem ‘joint ventures’ em triciclos, motos, scooters, indústria química, farmacêutica, componentes para autos e bicicletas etc.
A visita do presidente da Índia pode reforçar a aproximação destes dois grandes gigantes em desenvolvimento, que se sobressaem no cenário internacional como potências emergentes, permitindo antever um intercâmbio efetivo, fértil, imprescindível entre os dois países, que, enfrentando dificuldades semelhantes, podem compartilhar de muitos projetos para solucionar mutuamente os seus problemas.
No cenário político internacional, ambos os países pleiteiam a reformulação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, pedindo mudanças em sua composição. Índia e Brasil defendem o aumento do número de membros permanentes que compõem o conselho.
Na declaração assinada por ocasião da visita do presidente brasileiro à Índia, Fernando Henrique e Shankar Dayal Sharma pediram a reestruturação do organismo internacional para ‘‘garantir uma ordem internacional mais justa e democrática’’.
A união destes grandes países-líderes, Brasil e Índia, e os seus novos caminhos de integração trarão grandes benefícios não só para eles mas para o Terceiro Mundo, hoje sujeito aos ditames e à benevolência dos países desenvolvidos.
- EDUARDO JUDAS BARROS é professor e diretor do Centro de Estudos Afro-asiáticos da Universidade Estadual de Londrina

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