Washington, EUA A apenas 14 meses do prazo limite para a finalização das negociações e implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), reunindo 34 países das Américas e do Caribe, com exceção de Cuba, acordos sobre alguns pontos cruciais para a consolidação do bloco parecem muito distantes do desfecho. Os Estados Unidos da América (EUA) já fecharam questão sobre os subsídios agrícolas: só negociam no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC); o Brasil, por sua vez, contra-ataca e elege a OMC como palco de discussões de questões como compras do governo e investimentos diretos.
A preocupação dos norte-americanos com o destino da Alca se justifica, com o fracasso nas negociações sobre livre comércio no dia 14 de setembro, término da 5 Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún (México), devido a diferenças das prioridades entre países ricos e pobres. A expectativa se volta, agora, para a reunião de Miami, no dia 14 de novembro, quando deverão ser retomadas as negociações sobre a Alca. Os EUA já avisaram que se não houver um acordo multilateral, partirá para os acordos bilaterais, ou seja, vão se acertar com países que aceitam os termos propostos. O recado tem destino certo: o Brasil.
A palavra da ordem é flexibilidade. Os norte-americanos a repetem orquestradamente quando falam sobre subsídios agrícolas e Alca. E culpam o Brasil pela interrupção no fluxo normal das dicussões acerca da criação do novo bloco econômico. ''Subsídios agrícolas é uma questão a ser discutida e resolvida na OMC, porque os Estados Unidos, sozinhos, não podem retirar os seus subsídios, enquanto a União Européia e outros países mantêm o benefício aos seus agricultores e distorcem o mercado'', comenta Tim Galvin, analista sênior para comércio e agricultura da comissão de orçamento do Senado dos EUA e ex-administrador do serviço estrangeiro de agricultura do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). ''São os europeus, e não nós, que distorcem o mercado agrícola com os subsídios à exportação. Por isso, eles precisam reformular esse sistema.''
Para Galvin, a Alca só trará benefícios aos seus integrantes. A queda das barreiras promoverá maior intercâmbio comercial entre os 34 membros, promovendo a expansão econômica, com a melhoria dos salários, nível de emprego, produção primária e industrial, principalmente dos países em desenvolvimento, com benefício para todo o hemisfério. O maior volume de negócios contribuirá para o aumento dos níveis de exportações e equilíbrio da balança comercial. Galvin diz que ''estamos na parte mais sensível das negociações comerciais, do ponto de vista dos Estados Unidos'', ao lembrar que o déficit comercial dos EUA, no último exercício, foi de US$ 500 bilhões, dos quais US$ 100 bilhões só com a China,
Uma fonte do Departamento de Estado para o Hemisfério Ociental salientou que os Estados Unidos, que tiveram papel decisivo para a transição de regimes autoritários para a democracia em grande parte da América Latina, buscam incrementar políticas econômicas sólidas para o progresso do continente. ''Por isso, todos concordaram em trabalhar em favor da Alca.'' Segundo o funcionário do governo norte-americano, as negociações progrediram dentro do esperado nos últimos cinco anos, mas ''na reta final estamos recuando e dando início ao que parece ser um processo espinhoso. Mas quero ressaltar que a liberação do comércio internacional é muito importante, porque traz benefícios tanto ao exportador como ao importador. Por isso, é preciso aumentar o fluxo comercial'', disse. (Leia mais sobre a Alca na página 16)

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