As palavras que compõem o título acima são do economista Raul Veloso, especialista em engenharia política e que falou em Curitiba no Congresso Brasileiro de Magistrados. No caso do excesso de gastos ele fazia referência ao Governo, e foi generoso porque o Brasil é também campeão em corrupção, em impostos abusivos, em negligência e baixa operância governamental, e também campeão em mentiras dos governantes para com a população. Reunindo também economistas, os participantes desse encontro bateram forte nas teclas conhecidas: exorbitância da gastança pública, pesada carga tributária - cada vez maior justamente por causa dos esbanjamentos - e a reclamada reforma previdenciária. O consenso comum, além dos itens citados, foi que é preciso o próximo Governo Lula investir na iniciativa privada, de forma a incrementar o desenvolvimento. Lula foi consagrado nas urnas para fazer mudanças - lembrou Veloso - mas ''ao invés de um pacote fiscal só apresentou um pequeno embrulho''. No seu entender, a solução teria que ser costurada internamente com especialistas. Sabe-se que isto Lula não fez - e não fará se não mudar sua equipe e sua filosofia de governar - porque esteve cercado dos homens que todos conhecem e que hoje estão, em grande parte, envolvidos em denúncias de corrupção e mostraram-se inqualificados para o exercício de poderes tão altos. Com algumas mudanças na equipe, que ocorrem em função dos muitos tumultos na esfera do Governo, ainda assim a política econômica continua a mesma. Com numerosos bolsões de miséria - que não evoluíram disso nos quatro anos do atual Governo, ressalvado o atendimento assistencial do Bolsa-Família - o Brasil figura entre os países de mais gasto supérfluo e que mais arrocham nos impostos, sem o correspondente retorno à população. Porque, para cobrir o serviço das contas públicas - que mais crescem em face de inadequadas gestões - e para atender à farra pública e os 'atendimentos' das barganhas políticas, muito pouco sobra. Fazer mais, gastar menos, é o que os cidadãos esperam. Na questão do apregoado déficit da Previdência, o pensamento emanado do Congresso que se realiza em Curitiba é de que é necessário eliminar privilégios de servidores públicos, que são os que mais abocanham do sistema. Uma declaração importante, algo já sabido mas que ganha relevância partindo do ministro do Supremo Tribunal Federal, Sepúlveda Pertence, é que é ''é difícil prender corrupto'', porque ele ''é um homem que planeja'' e ''quando suspeita que sua ação pode ser descoberta, muda de método''. É oportuno, a propósito, lembrar aos órgãos superiores do Poder Judiciário que, de sua vez, operem no sentido de os legisladores aperfeiçoarem as leis, dessa forma também mudando os métodos, de modo a capturar esses espertalhões e evitar que se beneficiem - por conta da elasticidade da legislação - de tanto vai-e-vem de decisões judiciais, umas condenando e outras imediatamente libertando.

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