Brasil apto a repassar tecnologia agrícola
A crise financeira mundial está completando dez meses, um bilhão de seres humanos estão passando fome e a Organização Mundial da Saúde alerta que pode faltar vacina contra a gripe A. Esse é o triste quadro estampado diante das autoridades e dos povos. Os muitos ''Gs'' (Grupo dos 20, Grupo dos 8, o emergente Grupo dos 5 de que o Brasil faz parte e a possível união dos dois últimos, formando o Grupo dos 13), reúnem-se, mas não decidem o fundamental: a efetiva ajuda às nações pobres.
Uma boa proposta do Governo brasileiro é apoiar o desenvolvimento agrícola nos países subdesenvolvidos por via da transferência de tecnologia. Uma medida de prazo mais longo, porém, a ideal, sem desprezo da necessidade de nações ricas atenuarem a fome por socorros imediatos. Os pobres não podem comprar alimentos e morrem à mingua ou comem biscoitos de barro com manteiga, como ocorre no Haiti e que o ''Fantástico'' mostrou domingo. Estarrecedora realidade.
Os países ricos e mais poderosos, que compõem o G-8 e o G-20, fazem promessas e não as cumprem. A ideia de soluções estruturais precisa ganhar robustez porque se a ajuda agora é necessária para erguer os famintos, que não podem esperar, povos em tal condição de miséria precisam encontrar suas soluções e aprender a extrair da própria terra o seu sustento. Também o Brasil foi atrasado em tecnologia rural e agora desponta como potência nesse campo e converteu-se num grande produtor de alimentos. Tem, portanto, condição de emprestar seus conhecimentos por meio de renomadas instituições de pesquisa e experimentação. Esta sim será uma valiosa contribuição - mesmo que mais demorada - para a causa da atenuação da fome em muitas regiões do mundo. O Brasil hoje produz mais que o suficiente para o consumo interno, com sobras para exportação, e bafejado pelo grande estoque ainda não aproveitado de terras férteis ou recuperáveis e avanços contínuos da tecnologia. A demanda mundial de alimentos favorece esta nação, que se deve ajudar com auxílios imediatos, pode ser vanguardista no repasse de tecnologia a essas nações pobres em tudo, inclusive em conhecimentos, mesmo disponibilizando de terra para cultivar.
Embora recebendo críticas de ONGs externas de que cultiva produtos para gerar combustível no lugar de alimentos, o Brasil pode fazer com segurança as duas coisas, porque não vai cometer a imprudência do exagero ganhando de um lado e perdendo de outro. A solução duradoura é investir no ensino da arte de cultivar a terra e conduzir esses povos tecnologicamente atrasados a encontrar seu próprio caminho de redenção. E o Brasil pode passar essas lições.





