Novas denúncias do ex-agente da CIA Edward Snowden e revelados pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, trazem a público mais evidências de que o governo brasileiro foi alvo de ações de espionagem. Dessa vez, a agência de inteligência canadense teria monitorado os computadores do Ministério das Minas e Energia. A reportagem trouxe documentos secretos de Snowden mostrando que a rede do Ministério teria sido invadida pela agência canadense, com o rastreamento das linhas de telefonia fixa e móvel, além de e-mails enviados por servidores da pasta. De acordo com a denúncia, até mesmo o ex-embaixador brasileiro no Canadá Paulo Cordeiro teria tido comunicações interceptadas.
Anteriormente, outras denúncias do ex-agente da CIA evidenciaram que a National Security Agency (NSA), órgão nacional de segurança norte-americana, interceptou e-mails da presidente Dilma Rousseff e espionou a Petrobras. Ontem, a própria Dilma usou o twitter para fazer várias críticas aos Estados Unidos e seus aliados. Além dos EUA, outros quatro países formam o grupo conhecido como "Five Eyes" (Cinco Olhos), que estariam envolvidos no escândalo: Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia. Dilma mandou avisar o presidente Barack Obama que se trata de uma conduta inadmissível entre países que pretendem ser parceiros. Ela também pediu que esses governos encerrem as ações de espionagem e avisou que o Brasil repudia a guerra cibernética.
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, cobrou, ontem mesmo, explicações do embaixador do Canadá em Brasília, Jamal Khokhar. A espionagem entre países e empresas não é uma prática recente. O que causa surpresa é a proximidade e a relação de amizade entre as nações envolvidas.
É importante que o governo federal manifeste repúdio a qualquer ato, como esse, de violação da soberania nacional e invasão a computadores de empresas e pessoas. Mas também é preciso agir com rapidez e objetividade, tomando providências para proteger as informações sigilosas do País. Ou seja, a revelação das práticas norte-americanas de espionagem na América Latina reforça realmente a necessidade de regulamentações internacionais da internet e mostra que o Brasil precisa investir mais em tecnologia da informação.

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