BRASIL + ARGENTINA - Parceria pelo desenvolvimento
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terça-feira, 13 de maio de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Com a criação do Mercosul, Brasil e Argentina descobriram, sob a ótica comercial, que tinham vizinhos. Países centrais do bloco - que também compreende o Paraguai e o Uruguai -, tupiniquins e portenhos precisam, cada vez mais, amadurecer a idéia de que só se integrando efetivamente poderão interagir livremente junto ao comércio mundial. É o que defende o cônsul-geral da Argentina no Paraná, Emílio Julio Neffa. Em Londrina, Neffa falou, em visita à Redação da FOLHA, sobre a bilateralidade, seus resultados e seus efeitos. E destacou a vocação do Paraná. Confira a íntegra.
Como andam as relações comerciais entre Paraná e Argentina? A balança é equilibrada?
Muito equilibrada. Em 2007, o volume de comércio bilateral foi de US$ 2,2 bi. Em 2008, esperamos chegar aos US$ 3 bi. Houve um pequeno superávit para o Paraná, mas esse déficit não preocupa a Argentina. Queremos que haja, sempre, o incremento do comércio bilateral, o que resulta em mais empregos e gera melhores condições de trabalho. Estamos muito contentes.
No Paraná, como está nesse contexto?
Londrina para nós é muito importante e encabeça uma liderança entre vários municípios da região. Recentemente a Argentina esteve pela primeira vez participando da Mercosuper (Feira e Convenção Paranaense de Supermercados), em Pinhais. A participação foi um sucesso e tenho certeza que ano que vem países como Chile e Uruguai devem seguir nosso e se somar aos quadros de participantes. Como o Paraná não se resume somente a Curitiba, Londrina poderia perfeitamente ter uma feira nos mesmos moldes. Vamos buscar uma parceria com produtores e empresários para realizar algo não da mesma magnitude, mas mais uma oportunidade para alavancar o comércio bilateral.
Londrina é uma cidade repleta de universitários. Sua tendência a se desenvolver no segmento da Tecnologia da Informação é grande. Eis mais uma oportunidade de negócios?
Sem dúvidas. O desenvolvimento de softwares e a Tecnologia da Informação são temáticas pontuais nas nossas relações. Na semana passada, o Governador Roberto Requião assinou, com uma delegação de Tucumán, um compromisso de intercâmbio na parte estudantil e um dos eixos que tratamos foi exatamente o da Tecnologia da Informação. Acredito que nesse aspecto o Estado do Paraná está mais desenvolvido do que as províncias argentinas.
O que a Argentina tem a nos oferecer em tecnologia?
A Argentina possui bom desenvolvimento na parte agrícola e láctea. Tempos atrás, me perguntava: por que não temos, no Paraná, uma fábrica de queijos importante? Se temos leiterias, por que não produzir queijos pasta dura ou semi-dura, que são muito caros e consumidos? Creio que talvez a Argentina possa dar respaldo para a tecnologia voltada à essa área.
Qual a postura que Brasil e Argentina devem adotar e manter, no Mercosul?
A Argentina tem consciência de que seu principal parceiro comercial é o Brasil. A idéia central é ter Brasil e Argentina liderando o Mercosul, englobando toda a América Latina e respeitando a soberania dos demais países, para que tenhamos melhores condições de negociar com os demais blocos econômicos e lutar contra a pobreza extrema de nossos vizinhos.
Em recente entrevista à FOLHA, o professor René Berardi ressaltou o fato de o Brasil ''não se envolver em conflitos''. E a Argentina?
Reitero: devemos somar. Temos um passado comum de exploração, de retirada de recursos. Devemos trabalhar com o que temos e, nesse caso, o Brasil é privilegiado: é um continente com vários pequenos países. A Argentina precisa se incorporar e ajudar os países menores. É uma obrigação nossa.


