Brasiguaios e política externa
A situação dos cerca de 180 mil emigrantes brasileiros (conhecidos como
brasiguaios) que vivem no Paraguai é preocupante. Depois de muito investimento e trabalho em propriedades e negócios, durante o governo de Fernando Lugo os brasiguaios passaram a viver em um clima tomado por insegurança, incerteza e medo. O presidente cassado tinha forte vinculação com camponeses sem-terra e, por isso, fazia ''vistas grossas'' à invasão de terras, principalmente cujos proprietários eram brasileiros.
Agora, o presidente Frederico Franco (que era vice de Lugo) já anunciou que manterá a segurança jurídica e que fará cumprir as determinações judiciais. Em reportagem desta FOLHA, os emigrantes fazem um apelo ao governo brasileiro para que reconheça como legítimo o novo presidente paraguaio e a revogação de todas as medidas restritivas do Mercosul e de outros organismos internacionais.
É importante esclarecer, no entanto, que o presidente Fernando Lugo passou por um processo de impeachment legal, conforme determina a Constituição daquele País. Embora tenha sido um processo extremamente rápido, foi legítimo e a atual situação confirma essa afirmação. Lugo não está preso, as manifestações contrárias à sua deposição continuam ocorrendo sem fortes repressões policiais e a imprensa não foi cerceada. O que precisa ser feito neste caso é reconhecer a soberania do País e acatar as decisões internas, uma vez que os deputados e senadores também foram eleitos democraticamente.
A política externa brasileira nos últimos anos tem se mostrado bastante ambígua, uma vez que apoia governos autoritários que, aliás, caminham na contramão da democracia, como a Venezuela, de Hugo Chávez, e a Bolívia, de Evo Morales. Ainda há que se lembrar das ditaduras árabes, como a do iraniano Mahmoud Ahmadinejad e a síria, de Bashar al-Assad. Posição partidária ''de esquerda'' é uma coisa, mas apoiar ditaduras e governos autoritários são posicionamentos diferentes.
Neste caso, por enquanto, prevaleceu o bom senso brasileiro. Por influência da presidente Dilma Rousseff (PT) foram aplicadas sanções políticas ao Paraguai, como a suspensão do Mercosul e da Unasul, mas sem imposição de restrições econômicas. Uma decisão neste sentido atingiria em cheio os próprios brasiguaios, responsáveis pela exportação de grãos. No entanto, o governo deveria estreitar mais as relações diplomáticas a fim de garantir alguma segurança aos brasiguaios.





