Brain Rot: um sintoma da falência social na educação moderna
Se adultos e educadores sucumbem às mesmas distrações digitais, como esperamos que as crianças e jovens desenvolvam resistência?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de janeiro de 2025
Se adultos e educadores sucumbem às mesmas distrações digitais, como esperamos que as crianças e jovens desenvolvam resistência?
Celso Hartmann 
O termo “brain rot”, eleito pelo Dicionário de Oxford como a palavra do ano de 2024, reflete uma preocupação social que deve ser tratada como um problema de saúde pública. As implicações são vastas: o futuro da aprendizagem, a capacidade de pensar criticamente e a formação de cidadãos inteiros e engajados estão em jogo.
As escolas, que deveriam ser santuários de aprendizado, frequentemente se transformam em ambientes sobrecarregados de informações superficiais e estímulos incessantes. Essa realidade resulta em uma geração que, mais do que nunca, se sente incapaz de se concentrar em tarefas significativas. A educação deve cultivar uma mentalidade crítica que permita reflexão e interpretação, formando indivíduos integralmente preparados para a vida.
Se considerarmos o brain rot como um reflexo da fraqueza da estrutura social, a questão se amplifica: estamos dando o exemplo? Se adultos e educadores sucumbem às mesmas distrações digitais, como esperamos que as crianças e jovens desenvolvam resistência? A solução não está apenas nas iniciativas escolares, mas na responsabilidade coletiva em criar um ambiente que valorize a atenção plena e a aprendizagem significativa.
Iniciativas como projetos de mindfulness ou áreas livres de tecnologia, embora necessárias, não são suficientes sem uma mudança cultural mais ampla. Precisamos repensar o consumo de informação e valorizar o tempo e a atenção. Campanhas efetivas que incentivem o uso responsável da tecnologia e promovam a saúde mental devem ser prioridade em todas as esferas da sociedade. O desafio é imenso e a responsabilidade é coletiva.
Formar cidadãos conscientes e proativos não é apenas a função da escola, mas de todos. A reflexão crítica é crucial: estaremos fazendo o suficiente para dar o exemplo? Somente assim poderemos iniciar a transformação necessária e evitar uma geração submissa ao consumismo acelerado e refém da tecnologia.
Celso Hartmann é diretor executivo dos colégios da Rede Positivo
O pobre culpado
A grande discussão que envolve o país é o corte de gastos do setor público que tem muita gordura para cortar. Todavia, os supersalários, com os penduricalhos como auxílio moradia para quem tem mansão; auxílio paletó para quem tem roupas de marca; vale alimentação para quem está mais gordo que um capado; plano de saúde, que este não garante a vida, mas posterga a morte; vale avião para muitos que têm jatinho; vale gasolina para quem nunca soube o preço dela. Poderia listar muitas benesses que, como sempre falei, faz do Brasil dois países, a Índia dos marajás e a Índia da ralé, dos esquecidos. Na hora de culpar e cortar os gastos logo apontam um culpado para este desajuste fiscal: o pobre que está voltando a comer e, pior de tudo, o pobre quer comer com mistura. Não importa a ideologia, mas a maioria dos políticos tratam seres pobres humanos apenas como pobres. O império romano não decaiu, apenas mudou de país.
Manoel José Rodrigues, assistente administrativo


