A morte de Valtieri Padilha, 19 anos, é um dos poucos casos analisados pela Folha com testemunhas oculares dispostas a falar. Cinco pessoas contaram ter visto a Polícia Militar atirar nas costas de Valtieri no último 6 de setembro, no Jardim Jasmim. Ele morreu 10 dias depois do colega Evanei da Silva Favo, morrer num ''confronto'' com a PM.
Conforme os relatos, ele estava numa mercearia com colegas quando uma viatura passou em frente do estabelecimento. Um homem, com a cabeça coberta por uma camiseta, teria apontado em direção a Valtieri, dizendo que ele ''era a pessoa''. Dois policiais desceram do veículo e começaram a atirar no rapaz, que estaria desarmado e fugiu por trás do armazém.
A equipe chamou reforço e em pouco tempo outras viaturas estavam atrás de Valtieri. Depois de correr mais de dez quadras, ele fugiu rumo a um milharal. De repente, com a camiseta amarrada na cintura, parou, levantou os dois braços para o alto numa demonstração de que iria render-se, mas acabou levando um tiro fatal nas costas. Isso segundo as testemunhas.
A versão da polícia acusa Valtieri de tentar matar Ilson Roni Lacas, 20. Valtieri não tinha antecedente criminal. Depois de receber a denúncia de tentativa de homicídio, os soldados encontraram o suspeito num bar e ele logo reagiu atirando na viatura e correu. Durante a fuga, continuou atirando nos policiais, que revidaram em legítima defesa, garante a PM.

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