Bornhausen tenta manter unidade do PFL e neutralizar dissidentes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de março de 2002
Agência Estado 
Brasília - A cúpula do PFL está preocupada em impedir que ganhe corpo no partido a dissidência liderada pelos governadores do Paraná, Jaime Lerner, e do Tocantins, Siqueira Campos, favoráveis à recomposição da aliança com o PSDB do presidente Fernando Henrique Cardoso. A primeira providência para evitar que os descontentes se manifestem e possam contaminar outros governadores ou parlamentares foi tomada pelo presidente nacional do partido, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC).
Na reunião da executiva nacional realizada na quinta-feira, Bornhausen pediu a seus comandados que façam de tudo para conservar a unidade do partido, única forma de sobreviver à crise que tomou conta do PFL desde a descoberta de R$ 1,34 milhão na Lunus Serviços e Participações, da governadora Roseana Sarney (Maranhão) e de seu marido Jorge Murad, e do rompimento com o governo. Como medida cautelar, Bornhausen proibiu declarações em nome do partido. A partir de agora, disse, somente ele dará a palavra da cúpula do PFL.
O resultado prático das medidas de Bornhausen, porém, é duvidoso, diz um outro dirigente do PFL. Afinal, a proibição de que os filiados ao PFL dêem a sua opinião sobre o momento político dificilmente será cumprida. Lerner, por exemplo, não deu a menor importância à ordem de Bornhausen. Continua dizendo para os parlamentares de seu partido que o melhor seria voltar a fazer a aliança com o PSDB e manter a governabilidade.
A rebeldia de Lerner até que não assusta muito a direção do PFL. Na cúpula, avalia-se que o governador do Paraná tem muitos problemas para administrar, porque nos últimos dois anos seu governo enfrentou uma grande variedade de denúncias. E a liderança dele não é grande. Mas os dirigentes pefelistas temem Siqueira Campos. O governador de Tocantins é amigo do presidente Fernando Henrique Cardoso e tem influência no partido. Siqueira Campos sabe trabalhar bem. É perigoso, diz um dirigente da legenda.
Lembra esse integrante da cúpula do PFL que Siqueira Campos é tão próximo de Fernando Henrique que em janeiro anunciou o apoio à candidatura do tucano José Serra, mesmo sabendo que seu partido tinha uma pré-candidata que àquela altura ia muito bem nas pesquisas. Repreendido publicamente por Bornhausen, Siqueira Campos recuou e disse que apoiaria o candidato do governo. Hoje, esse candidato é Serra.
Precavido, Bornhausen isolou-se em Santa Catarina e informou que não vai se manifestar a respeito de nada até segunda-feira. Ficará à espera das revistas e dos jornais que vão circular no fim de semana, pois teme que as notícias venham a aumentar ainda mais a crise de seu partido. Estou na expectativa do que será noticiado, disse Bornhausen. Por enquanto, prefiro ficar quieto.


