A FOLHA inicia hoje uma série de reportagens sobre negócios que continuam em crescimento, apesar do cenário econômico. Desde meados do ano passado, quando a crise se desenhava, a maioria dos empresários tem feito adequações em seu negócio. O aumento de custo – puxado pela alta da inflação, pelos reajustes exorbitantes das tarifas controladas e pelo aumento de impostos – somado à queda do consumo torna necessária readequações.
No entanto, há um grupo que mesmo com um cenário desolador como o que parece, mantém seus investimentos e continua crescendo. Cruzar os braços não é opção para milhares de empreendedores e, por isso, boa parte deles prefere apostar em inovação, qualidade e em determinados nichos de mercado. São escolhas que podem garantir bons resultados até porque nem sempre a melhor opção é esperar por ações do governo. Recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia, baseada em dados de 2013, aponta que mais da metade das empresas brasileiras fechou as portas após quatro anos de atividade.
Dos 694 mil negócios que nasceram em 2009, apenas 47,5% ainda estavam em funcionamento em 2013. Após o primeiro ano de funcionamento, 158 mil fecharam as portas, segundo a pesquisa. Independentemente de avaliar as causas da falência, vale acrescentar que abrir uma empresa e eventualmente fracassar faz parte do jogo do mercado e nem sempre a responsabilidade é do cenário macroeconômico. Muitos empresários não têm capacitação adequada e fazem apostas erradas – isso é fato.
No entanto, o que deve ser ressaltado é a capacidade dos brasileiros de se reiventar. Esta não é a primeira crise que atinge o País e provavelmente não será a última. De maneira geral a população está acostumada com períodos de turbulência e consegue sobreviver. Criatividade e empreendedorismo são características dos brasileiros que não podem ser esquecidas, pelo contrário. É importante que em períodos como o atual esse comportamento fique mais evidenciado.

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