Bons políticos
As coligações partidárias, verticais ou multiformes, são práticas que quebram o princípio de coesão ideológica que se espera dos partidos, ao tempo em que sustentam a existência de dezenas de siglas inconsistentes e oportunistas, que só existem para fazer composições em tempo de eleição. Elas representam a negação do sistema partidário, que pela sua denominação significa parte de um conjunto e não a unanimidade, que é típica das ditaduras. A riqueza do sistema político reside na diversidade das idéias, porque o tecido social é múltiplo em seus conceitos e valores, e as agremiações políticas devem ser o reflexo do meio.
Com as coligações, coloca-se num liquidificador conteúdos diferentes, que se tornam uma só coisa, qual partido único. Múltiplas que sejam, elas ainda assim não representam democracia, mas, ao contrário, o trincamento desse sistema. Da mesma forma, a inflação de pequenas agremiações partidárias não quer dizer pulverização de representatividade popular, pois elas não aglutinam classes ou ideologias específicas e teriam validade se assim fosse mas só vicejam no oportunismo do apoio temporário em troca de cargos e mesmo de dinheiro.
O Brasil tem três dezenas de partidos políticos, que nada representam, ressalvada a meia dúzia dos mais expressivos, e ainda assim, entre estes, restam apenas duas correntes fortes: uma de centro-direita e outra de centro-esquerda. Como ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, onde também existem partidos menores mas as eleições são sempre definidas entre um candidato republicano ou um democrata.
Mas a questão da verticalidade ou não do sistema político-eleitoral brasileiro ainda tem mais a ver com os próprios partidos e com circunstâncias de cada candidato, interessando pouco à opinião pública. O que os cidadãos desejam é bons políticos, que resultem em bons parlamentares e em bons governantes. Discussão como a das coligações é ainda questão secundária na avaliação popular.
A melhoria da qualidade da classe político-governamental é o que interessa ao povo. A grande cruzada nacional deveria ser a criação de um sistema de expurgo, que eliminasse já na origem certo tipo de candidatos, e a implantação de um severo regime de seleção, exigindo graduação em estudos de aperfeiçoamento político e sobretudo de competência e honestidade de quem queira se habilitar a cargos governamentais.





