Bombas explosivas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de dezembro de 1997
Joel Pugsley 
Houve um tempo em que o temor maior da humanidade repousava no perigo das bombas fabricadas pelo homem. Bomba atômica e de hidrogênio constituiam-se na ameaça constante. O mundo seria destruído como foram as cidades de Hiroshima e Nagasaki.
Hoje já não se fala na iminência e riscos de catástrofe mundial causada por esses artefatos se acionados por algum governante.
Fala-se na violência urbana e rural; na miséria e na fome; no terrorismo e na criminalidade; no tabagismo e suas consequências, nas doenças: AIDS, tuberculose, meningite etc. Fala-se no tráfico: maconha, cocaína, heroína, crack...; no consumo de álcool entre adolescentes, na prostituição infantil; no trabalho escravo de crianças; na crise econômica e na corrupção; nos preconceitos de raça; no envenenamento por agrotóxicos e destruição ambiental, no desemprego; na mortandade do trânsito: nos homicídios entre jovens e assim por diante. Todos esses males e outros ocupam os noticíarios e estão espalhando terror entre os povos de todas as nacionalidades em maior ou menor escala.
Vivemos a síndrome da destruição, não como dantes quando imperava o medo das guerras entre povos de pátrias diferentes. Fato inegável: estamos vivenciando a destruição já instalada numa guerra fratricida no mundo globalizado. Não que haja explodido alguma bomba daquelas convencionais em país próximo ou distante.
Desnecessário detonar bombas ou disparar mísseis.
O homem com sua engenhosidade maléfica foi capaz de contribuir para algo perigoso e potente como os elementos saídos de laboratórios, levando a humanidade à atual encruzilhada. Vejam as consequências dos tóxicos, autênticas bombas que explodiram no mundo, mesmo sem estrondos apavorantes; no silêncio estão matando e de forma avassaladora conduzindo para a criminalidade violenta: assassinatos, suicídios, roubos, estupros, sequestros... Delitos, os mais repugnantes, estão sendo praticados sob o efeito de entorpecentes, inclusive o álcool.
Inútil hoje a expectativa temerosa de guerra que venha de fora com o estrépito de armas conhecidas: fuzis, canhões, tanques, explosivos, energia atômica.
A destruição existe sorrateira, camuflada, ceifando principalmente a juventude, vidas preciosas. Diante desse quadro de armadilhas e explosivos, ou bombas, o grande desafio é desarmá-las.
A princesa Diana, recém-falecida, legou à humanidade exemplo de quanto é importante a missão de desarmar bombas. Certamente que ela não se notabilizou pelo padrão de conduta moral, mas o mundo a reverenciou por seu espírito humanitário e pelas campanhas em favor dos deserdados de tantas pátrias, chamando a atenção para a necessidade de desarmar explosivos deixados no subsolo, que têm mutilado muita gente.
Bombas devem ser neutralizadas, não só as enterradas em países do Continente Africano mas também, e em especial, aquelas aqui mesmo no Brasil; as bombas dos vícios, da imoralidade, da violência, de desemprego, da corrupção, das enfermidades, do ódio até nos esportes...
Estas e tantas outras mencionadas mutilam e matam, porém sem ruídos, traiçoeiramente. Homems como Martin Luther King, Gandhi, Jesus Cristo, mártires que o mundo conheceu e reconhece até hoje, além de benfeitores no sentido mais amplo da palavra, foram desativadores de bombas, exemplos a serem seguidos.


