Bom trabalho da Polícia Federal
Quando os organismos de segurança agem com maestria, é necessário aplaudir, e este é um momento para exaltar a missão desencadeada pela Polícia Federal, que desbaratou uma das maiores quadrilhas de contrabando do País e que tinha base no Paraná. Batizada de Operação Hidra, a missão envolveu 650 agentes e prendeu mais de uma centena de contrabandistas, principalmente no eixo Paraná/São Paulo/Mato Grosso/Mato Grosso do Sul, e apreendeu grande número de carretas e outros veículos utilizados no transporte do contrabando, além de computadores, armas, dólares, reais e documentos. No Paraná, as ações da Polícia concentraram-se no norte e no noroeste e resultaram em 30 prisões. Ao louvar o trabalho de investigação e captura, uma triste constatação é que, entre os presos aqui no Estado, 10 eram policiais rodoviários e um escrivão da própria Polícia Federal, justamente homens que existem com a função de combater a criminalidade, mas, ao contrário, convertem-se em criminosos. Elogios de um lado, pela eficácia da operação, e lamento de outro, e não apenas pelo envolvimento de agentes da lei nesses delitos mas pela grande quantidade deles 1/3 de toda a quadrilha presa no Paraná. Pelos números, o grupo controlava 50% de todo o contrabando trazido do Paraguai e movimentava mensalmente R$ 30 milhões. O anseio é que, com os 'cabeças' também presos, metade do volume de contrabando cesse, mas teme-se que tal não ocorra, com base no que registra a memória histórica a respeito. Porque a Polícia prende, mas a flexibilidade das leis brasileiras abre brechas para que as solturas se operem, podendo ocorrer á como a serpente Hidra da mitologia, que dá nome à operação de as cabeças decepadas renascerem de si mesmas. No momento as figuras de relevo da organização estão detidas e, portanto, fora de ação direta. Foi um eficiente trabalho, a demonstrar que os organismos policiais são competentes em suas táticas e capazes de executar missões arrojadas e desafiadoras quando há firme decisão. O sistema de combate é sempre triunfador se há empenho, mesmo sabendo-se que o crime organizado é tão equipado em gente especializada e em armas quanto a Polícia, e isto valoriza ainda mais o trabalho policial. A Operação Hidra já vinha se desenvolvendo há dez meses, e vai continuar, porque há indício de mais gente envolvida, talvez 150 pessoas no total. Com a detenção dos titulares será mais fácil chegar ao bando completo. A missão está em grande parte cumprida e deve ser exaltada, pela sua envergadura, mas sabe-se que a tarefa não pode encerrar-se aí, porque o contrabando envolve muito dinheiro, tem influências de elevado escalão e ramificações que extrapolam fronteiras.





