Hoje termina o prazo para legalização da situação eleitoral de quem não tirou o título ou não declarou a transferência de domicílio, tendo em vista o referendo popular de 23 de outubro que decidirá se o comércio de armas deve ser permitido ou não. Como esse plebiscito trata de uma questão de grande interesse de todos os cidadãos, a participação de todos na votação é importante. E mais importante é que decidam pela causa da maior segurança, que é o desarmamento, salvo pelas forças armadas, em que se incluem o Exército e as polícias. Os que já se manifestam contra a limitação, e certamente votarão segundo essa posição, equivocam-se ao imaginar que possam enfrentar com armas os bandidos, porque quando o fazem podem levar a pior, como ocorre no mais dos casos. Também os delinquentes não poderão comprar armas caso o referendo decida pelo não, e se o argumento é de que eles encontrarão formas de adquiri-las porque a entrada delas pelas fronteiras do País é incontrolável certo é que grande parte das armas em mãos de criminosos foi roubada, pelos marginais, de residências que as possuíam. Ademais, muitos acidentes, alguns com mortes, aconteceram sobretudo com crianças ao alcançarem armas guardadas em casa. Não tem consistência a avaliação pura e simples de que cidadão desarmado é cidadão inseguro, e que os bandidos correrão livres com suas armas mesmo que o voto do povo diga não à comercialização. Ocorre que armados eles já estão, e então incumbirá detê-los e desarmá-los, uma tarefa que não é simples porque a entrada de armas vindas de fora continuará, por vias clandestinas. Mas com menos armas o que ocorrerá com a proibição do comércio formal o campo irá se fechando para a bandidagem. Não se poderá esperar que o desarmamento dos cidadãos resolva o problema da criminalidade, que tem raízes mais fundas, mas este é um importante começo. Os assaltantes e os menores infratores, que assaltam cidadãos e residências e se apossam de armas, terão mais dificuldade em adquiri-las por outros meios. Pesquisa recente, divulgada pelo Senado, demonstra que 84% das pessoas ouvidas, na faixa de mais baixa renda da periferia das grandes cidades, são contra a aquisição de armas pelos cidadãos. O mesmo aconteceu em 70% das pessoas consultadas nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Observa-se que, se populações mais pobres repudiam as armas, também esses três estados que figuram entre os de nível de vida mais alto querem distância das armas. A pergunta única do referendo popular é se ''o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil''. O eleitor terá de dizer não ou sim. O bom senso recomenda a decisão pelo não, e é isto que se acredita que vá acontecer. Assim o Brasil figurará entre as nações de sociedades desarmadas, amantes da paz, e é certo que os benefícios serão maiores do que os descrentes imaginam.

mockup