Bom senso em extinção
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quarta-feira, 08 de janeiro de 2020
Folha de Londrina 
Enquanto a economia do País patina e reage de maneira bem mais lenta do que a expectativa criada em torno do novo governo, que já completou um ano, o presidente Jair Bolsonaro segue colecionando declarações polêmicas, antidemocráticas e autoritárias.
Um dos seus principais alvos é a imprensa, principalmente o jornal impresso, tradicional veículo de comunicação conhecido por sua credibilidade, zelo com a informação apurada e abertura democrática para o contraditório. Depois da tentativa de desobrigar a publicação de editais nos jornais em 2019, Bolsonaro começou o novo ano com o velho hábito.
Na entrada do Palácio da Alvorada, o presidente costuma responder aos jornalistas diante dos seus eleitores, criando um clima de torcida organizada como se a imprensa fosse adversária dos cidadãos e não um dos pilares da democracia e da liberdade de expressão.
"Quem não lê jornal não está informado. E quem lê está desinformado. Tem de mudar isso. Vocês são uma espécie em extinção. Eu acho que vou botar os jornalistas do Brasil vinculados ao Ibama", afirmou Bolsonaro na última segunda-feira (6).
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) classificou a atitude como “demonstração de ignorância sobre o papel da imprensa e seu próprio status de presidente” e afirmou que, novamente, Bolsonaro “usa um discurso típico de líderes autoritários: diante de uma notícia que o desagrada, ataca o mensageiro, sem se preocupar em esclarecer o fato noticiado.”
Na ocasião, ele foi questionado sobre uso de recursos públicos em campanha para deputado federal em 2014 e preferiu responder com ataques e afirmou que jornais “envenenam” as pessoas com mentiras. Para ele, a “verdade” está na polarização das redes sociais ou nas correntes dos aplicativos de mensagens.
Presidentes eleitos democraticamente nem sempre são democráticos. Em 1971, jornais norte-americanos publicaram documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã, que ficaram conhecidos como "Papéis do Pentágono". A administração do presidente Richard Nixon levou o caso até a Suprema Corte na tentativa de censurar as publicações, mas a instância superior dos Estados Unidos apelou para primeira emenda que garante a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Anos depois, Nixon deixou a presidência após a série de reportagens que entrou para a história como o “Caso Watergate”.
Na América do Sul, a ditadura chavista censura a imprensa e viola direitos humanos e políticos na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro segue a cartilha de Hugo Chávez, que foi eleito democraticamente em 1998, assumiu no ano seguinte e só deixou Miraflores em 2013, quando faleceu. Para Chávez, a imprensa era inimiga do Estado pelo simples fato de não falar o que ele queria ouvir. Assim, o ditador adotava um tom bélico em entrevistas, cassava concessões e ameaçava jornalistas.
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