Bom ganho e abusos marcam homens públicos
Não há grande margem de erro ao afirmar-se que os que buscam cargos eletivos visam antes de tudo um bom emprego. Ou, se não é isto, é no mínimo o anseio de poder. É quase nenhum, ou muito baixo, o ideal de servir à causa pública. Isto não significa que não existam políticos honrados e operantes, mas a realidade é que estes são poucos. O salário é alto, com muita verba paralela para custeios diversos e que consomem somas exuberantes.
A isto se somam as propinas sempre generosas para concessão de um favor, de interesse do próprio círculo governamental ou de segmentos privados. A abundância dessas ocorrências freqüenta o noticiário e não é novidade para ninguém. Ser governo, em qualquer escalão dos postos de mando, no Brasil, é um bom negócio, no mínimo porque os ganhos são muito atraentes. E mais que isso, porque o leque de outras regalias é vasto.
Natural que nesses casos existem também as mãos duplas, porque além dos ilícitos de apropriação indevida há as tentadoras ofertas de setores privados igualmente corrompidos. Estes comentários vêm a propósito de reportagem de ontem deste Jornal mostrando os salários de prefeitos atuais e dos que irão assumir em janeiro. Pelo salário nominal, a maioria irá, individualmente, ganhar mais que o presidente da República. Não são os prefeitos que ditam os seus salários mas as câmaras de vereadores, e se o argumento é que nada é aprovado fora da lei, certo é que as benesses são estendidas ao máximo. Portanto fora da lei moral. Não há o senso de que o dinheiro é do povo e que quando o custo da máquina governamental é alto demais algum atendimento social perde. Sem chegar ao extremo de exigir que o desempenho dos cargos eletivos seja gratuíto, certo é que em pequenas localidades de algumas partes do mundo isto ocorre.
Em Curitiba e Londrina, que são as duas maiores cidades do Estado e exigem mais empenho de quem as comanda, os salários líquidos dos prefeitos são razoáveis, pode-se dizer baixos, mas não têm servido de parâmetro para os pequenos. (Os parâmetros só ocorrem quando é para nivelar pelo máximo). Se os parlamentos são, ao menos teoricamente, a representatividade popular, eles não falam pela voz do povo quando fixam salários e cotas abusivas de gastos.





