Bom exemplo dos vereadores de Londrina
Este espaço de opinião tem ressaltado a validade dos servidores públicos qualificados, mesmo que parentes dos seus chefes, mas há que louvar a atitude dos vereadores de Londrina ao afastar assessores com quem têm grau de parentesco. Com isso eles deram exemplo ao Brasil evitaram acusações de nepotismo e livraram-se de um problema que estaria sempre presente e gerando críticas da comunidade. A medida poderá resultar na não-contratação de outras pessoas, e assim também o erário será aliviado. A questão da admissão de parentes foi levantada por este Jornal, em suas edições recentes, e também motivou a sociedade organizada, até o ponto de sensibilizar os vereadores a removerem os casos existentes de nepotismo. É preciso exaltar esta tomada de consciência, que demonstrou bom senso e atendimento dos vereadores ao clamor dos cidadãos, que não aprovam protecionismos quando está envolvido dinheiro público. Essa postura popular ganhou amplitude com a série de reportagens da Folha de Londrina a respeito. São momentos em que também o jornalismo se consagra em sua missão de escutar a voz da comunidade, projetá-la pela forma da palavra impressa e constatar que isto produziu bom resultado. O gesto dos vereadores, diferente do que fez um colega parlamentar de grau mais alto o deputado Severino Cavalcanti, presidente da Câmara Federal, ao fazer pouco caso da denúncia de manter uma legião de parentes apaniguados, à custa do dinheiro do povo poderá resultar numa espécie de ''nepotismo nunca mais'' no Legislativo londrinense e servir de exemplo às demais Câmaras de Vereadores, do Paraná e de outros Estados. Episódios como este de Londrina, mesmo que de relativa relevância ante tantos abusos de mais gravidade que ocorrem na esfera da administração pública, em todo o País e em todos os Poderes, fazem renascer esperanças de que a manifestação popular tem grande força e não deve cessar. Não há poder maior que o do povo, e se houver ressonância das vozes das multidões junto aos veículos de comunicação, e persistência nas lutas, as coisas passam a acontecer. Essas vitórias, pequenas que sejam, criam alento para as maiores, vão despertando a consciência de cidadania, robustecem a idéia do poder emanado do povo, arregimentam seguidores e têm o condão de mostrar aos detentores de funções públicas que há uma ordem estabelecida e que impera um anseio latente de moralidade na mente de cada cidadão.





