Bom exemplo da lei seca de Apucarana
A estatística atesta que, em Apucarana, a obrigatoriedade do fechamento dos bares às 23 horas diminuiu o número de assassinatos, violência doméstica, lesões corporais, furtos e perturbações da ordem no geral. O fato foi focalizado em reportagem deste Jornal, monstrando que, ali, a medida produziu bom resultado. A liberação só é dada para restaurantes e casas de shows com alvará específico. Se o modelo está dando certo na vizinha cidade, depois de um ano e dois meses, pode ser adotado em todo o Brasil. É alto o custo social causado pelos incidentes que resultam da embriaguez, valendo a pena uma prática radical como esta, que deixa contrariados os madrugadores dos bares mas beneficia a população e alivia o gasto público. Pelo relatório do 10º Batalhão da Polícia Militar, com a lei-seca os homicídios em Apucarana caíram para zero no horário noturno, em 2005; a violência nos lares reduziu-se 31%, as ameaças pessoais 32%, as lutas corporais 21%, os furtos 10,5% e a perturbação da ordem 36%. Um número inverso é que, no ano passado, os roubos a domicílios aumentaram, mas o fato não se relaciona com a diminuição da bebedeira. O indicador expressivo é que os registros de embriaguez ao volante diminuíram 60%, até porque as anotações de gente bêbada foram 75% menores, depois da lei. No geral, em qualquer horário, o índice de acidentes de trânsito sofreu pequena queda, mas há a considerar que o número de veículos aumentou na cidade. O chefe do setor de inteligência do Batalhão, tenente Edson Martins do Prado, diz que a cidade está mais tranqüila, e o delegado-chefe da 17ªSubdivisão Policial, Marcolino Aparecido da Costa, afirma que é bastante visível a queda das ocorrências policiais desde que a lei seca foi adotada. E acrescenta que a segurança pública não é apenas uma questão de polícia mas também de educação e de costumes da população. Natural que a ação de polícia foi o poder público municipal criar a lei, e o mais veio por acréscimo. É importante citar mais depoimentos, como o do médico-chefe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, Nicolau Lamas, de que houve diminuição do volume de pacientes alcoolizados atendidos pela unidade. Verificou-se substancial queda no movimento nos plantões médicos da madrugada no Hospital da Providência maior unidade de saúde de Apucarana e onde o médico atua. O que no início parecia uma norma arbitrária converteu-se em algo natural em Apucarana. Há hábitos antigos arraigados, no Brasil, como o dos bares abertos madrugada a dentro e os bailes de música barulhenta que vão até o clarear do dia, agredindo a lei do silêncio e o sono noturno, mas se os países adiantados já eliminaram de vez esses costumes, o Brasil também pode fazer o mesmo.





