Bolsonaro vai a Davos
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019
O presidente Jair Bolsonaro faz sua estreia no cenário internacional nesta semana em Davos, Suíça, no Fórum Econômico Mundial, que reúne a elite política e econômica global. Bolsonaro vai ocupar o palco principal na plenária do encontro na quarta-feira (22), onde terá 45 minutos para discursar com o objetivo de desconstruir a imagem ruim difundida pela imprensa internacional, tanto dele quanto das propostas defendidas pelo seu partido (PSL) em relação às minorias, meio ambiente e outras bandeiras polêmicas. Pela primeira vez um chefe de estado latino-americano discursará na abertura da plenária. Antes, na terça, Bolsonaro tem na agenda um encontro com empresários e a participação em um painel sobre a Venezuela. O país vizinho, inclusive, esteve em evidência na semana passada por aqui, com trocas de torpedos entre Nicolás Maduro e o Itamaraty. Em Davos, entrevistas coletivas não estão formalmente previstas, mas a imprensa internacional estará atenta aos posicionamentos e falas do líder brasileiro.
O Fórum Econômico de Davos este ano vai estar esvaziado de algumas das principais lideranças globais, mas isso só faz aumentar a atenção para a comitiva brasileira. Donald Trump, enroscado numa queda de braço com os deputados democratas, não vai ao encontro e também cancelou a participação de toda comitiva americana. Emmanuel Macron, presidente francês, às voltas com os "coletes amarelos" também não vai estar em Davos, assim como o presidente chinês Xi Jinping, e a primeira-ministra britânica, Theresa May, embaraçada com o Brexit. Dessa forma, as atenções se voltam para o presidente do país que figura entre as dez maiores economias do mundo.
Desenhado como líder de extrema-direita, chamado de "Trump dos trópicos", a presença de Bolsonaro em Davos gera grande expectativa.
A comitiva tupiniquim que integra, entre outros, os ministros Paulo Guedes (Economia), Sérgio Moro (Justiça) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) leva na bagagem a intenção de mostrar ao mundo que a economia brasileira está se modernizando. O combate à corrupção é uma premissa fortíssima da agenda que se firma em quatro pilares: reforma da Previdência, privatizações, reforma administrativa e abertura comercial.
A expectativa em Davos pode dar lugar à euforia ou ao desencanto. Há quem compare o momento do governo brasileiro no Fórum Econômico como a estreia da seleção nacional em uma Copa do Mundo. Um resultado positivo não significa que será campeão. Por outro lado, um revés vai deixar todo mundo nervoso. A contagem regressiva já começou.



