Onze milhões de famílias e mais os seus integrantes que já são eleitores formam um considerável contingente, e o Governo não o despreza em véspera de ano eleitoral. Por isso o aumento de 10% na ajuda mensal aos pobres, elevando o benefício médio do Bolsa Família para R$ 93,50. Esta é uma atenção da qual o presidente Lula não se descuida porque esse numeroso volume de pessoas e os dependentes aptos a votar podem ser a garantia de uma eleição.
Muito se tem discutido sobre o programa Bolsa Família porque não emancipa as famílias, mantêm-nas no mesmo estado de pobreza e induz pessoas a nem trabalharem. Mas a condição de necessidade de tantos carentes reclama auxílio emergencial, porque se deixou que as coisas chegassem a esse ponto, e enquanto grandes reformas estruturais não acontecem é preciso dar esse socorro. Não é fórmula salvadora numa nação de grandes bolsões de miséria, mas um meio de o Governo e a sociedade ao menos atenuarem um mal social.
No mínimo é um retorno ao meio circulante de R$ 12 bilhões ao ano, e sua distribuição a essa vasta legião de consumidores dinamiza a economia porque todo o dinheiro é imediatamente gasto. Além do benefício da ajuda a famílias pobres, a devolução ao povo daquela volumosa quantia não é nenhuma transferência de renda e nenhum favor, e o governo colhe dividendos políticos disso. Se há um real propósito de fazer do Brasil uma grande nação, não será com a perpetuidade desse tipo de atendimento que se chegará lá e sim pela via do crescimento econômico, o que se obterá pela elaboração de bem fundamentados projetos que gerem riqueza e empregos, por extensão melhorando os serviços de saúde e educação e a moradia. Governos populistas vangloriam-se dessas benemerências - que nada mais são do que esmolas -, mas isto não faz nenhum governante um salvador da humanidade e nem da pátria. Quando apregoa que o programa atende a 11 milhões de famílias, que geralmente têm em média quatro dependentes, o Governo está assumindo que existem no Brasil 40 milhões de carentes. Assim, a propaganda da ajuda converte-se não em virtude, mas em eloquente demonstração de pobreza e ausência de grandes projetos governamentais de elevação do índice de desenvolvimento humano.
Não se pode considerar aqueles R$ 12 bilhões como um custo do Governo e sim um custo da sociedade porque governos não produzem renda, mas apenas a administram, e com a prodigalidade de também valer-se dela abusivamente. O que o Governo faz, no caso, é apenas restituir o que por origem já pertence ao povo.

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