''Se uma criança ouve boa música desde o dia do seu nascimento e aprende a tocar, desenvolve a sua sensibilidade, disciplina e tolerância. Ela desenvolve um bom coração''. Esta é a filosofia do método Suzuki, que trabalha o potencial musical de crianças através de exercícios de repetição.

No Brasil, a única pessoa autorizada a ensinar o método é a professora Shinobu Sato, que esteve em Londrina participando do Festival de Música da cidade. Em entrevista à FOLHA, ela explica o funcionamento do método Suzuki, defende a inclusão da música no currículo escolar e afirma que as novas tecnologias vieram para democratizar o acesso à musica de qualidade.

Quais são as diferenças do método Suzuki para o método tradicional de ensino de música?
O Suzuki usa a forma que a criança aprende a língua para o violino. Como a criança aprende? Ouvindo muito. Os bebês não falam, mas são estimulados a repetir o que os adultos falam. Quando pequenos, repetem palavras erradas várias vezes sem que ninguém fique bravo. Foi exatamente esse método que Suzuki aplicou no violino. As crianças são estimuladas para repetir, quantas vezes precisar, respeitando o aprendizado de cada um. Tem criança que demora dois meses, três meses para aprender uma música. Tem criança que fala com nove meses e outra que vai falar depois de dois anos e meio. Na música é da mesma forma: a criança que aprende mais rápido é porque já ouvia música em casa. Por isso o método é direcionado aos pais, que devem criar um ambiente musical para a criança em casa. Eles se tornam professores, aprendem a ensinar e repetem isso sete ou mais vezes por dia.

Qual é a idade recomendada para começar o ensino de música com este método?
Pode começar com dois anos e meio, três anos. Mas esbarra na dificuldade do instrumento, que precisa ser adequado ao tamanho de cada criança. Para tamanhos menores é bem mais difícil de encontrar e caro, porque tem menos crianças fazendo.

Com menos de três anos ela consegue assimilar o aprendizado?
Perfeitamente, desde que conte com a ajuda dos pais.

Qual é o reflexo disso para o futuro da criança?
O principal ganho é com a concentração. Todas as crianças problemáticas receberam elogios na escola depois de participar do método. Elas melhoraram de nota, porque ficaram mais objetivas, o raciocínio começa a funcionar.

A música deveria fazer parte do currículo escolar?
Com certeza, principalmente pelos benefícios que traz de concentração. Não necessariamente que a pessoa precise se tornar um músico, não é esse nosso objetivo. A meta é melhorar concentração, auto-estima, raciocínio lógico.

A senhora tem informações de outros países que adotam este método e conseguem bons resultados?
Estive em maio nos Estados Unidos para participar da conferência de professores Suzuki, e tinha uma orquestra formada por crianças de sete a nove anos, tocando maravilhosamente bem. A gente sabia que eles não estavam no nível de técnicos de violino, mas tocaram muito bem.

No mundo da música, nem sempre o que faz sucesso é sinônimo de qualidade. A senhora acredita que os jovens ouvem as músicas que estão na moda porque elas chegam mais fácil?
Com certeza. Eles acabam tendo preferências pelo que é mais popular, mas alguns alunos vêm com discos e filmes de músicas eruditas. Eles acabam trocando experiências, enriquecendo a cultura. Hoje temos o MP3 player, a internet, que facilitou o acesso à música. Não ficamos mais dependentes do rádio e da televisão. Só música erudita é boa? De jeito nenhum! Tem choros bons, jazz bonitos, então a gente tem que aceitar a variedade. Se não gostar, não ouve. Mas se gostar, vai procurar outros do mesmo gênero.

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