O lema ''Time is Brain'' levantado por neurologistas de todo o mundo na preocupação com o atendimento pré-hospitalar da vítima de acidente vascular cerebral (AVC) depende de vontade política para acontecer na prática. Os números alarmantes de mortes relacionadas à doença - 130 mil anualmente no Brasil - já deveriam ter mobilizado autoridades para priorizar questões relacionadas à patologia, que além de matar, imobiliza milhares de pessoas. O uso dos trombolíticos, medicamento intravenoso aplicado nos pacientes com AVC isquêmico, é um tratamento comprovado que salva vidas e evita sequelas.
A aplicação do trombolítico precisa acontecer em até quatro horas dos primeiros sintomas e demanda equipe especializada, o que por enquanto existe apenas em alguns hospitais particulares ou pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital das Clínicas em Curitiba numa parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). O ideal era que todos os municípios e todos os hospitais públicos contassem com o procedimento, que deve ser ágil e contar com a presença de especialistas.
A Secretaria Estadual de Saúde está estruturando a implantação do Núcleo de Controle do AVC, grupo este que ajudará na disseminação de ações relacionadas à doença, inclusive preparar equipes para iniciar o uso dos trombolíticos. Esse núcleo deve articular a aquisição dos medicamentos, elaborar o protocolo e readequar profissionais para atender pacientes de todo o Paraná, como as unidades 24 horas e os Serviços de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
A própria coordenadoria afirmou ontem à esta FOLHA que o núcleo deve sair do papel até novembro. Ainda assim, levará um pouco mais de tempo para que todos os municípios possam fazer o uso do trombolítico pelo SUS porque demandará adequações em todas regiões do Estado.
Enquanto isso, a população acaba precisando contar com a sorte de não surgir mais vítimas do AVC isquêmico que é o que mais incapacita pessoas no mundo entre as doenças neurológicas. O outro AVC, o hemorrágico, não necessita do medicamento, mas é ainda mais violento e mata muito mais. A questão é que para esse tipo de problema, não há tempo que possa esperar. Quanto antes se resolvam as questões burocráticas e políticas, menos vidas perderemos.

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