Boa safra agrícola ameniza temor da crise
O mundo precisa alimentar-se e o Brasil é um grande fornecedor de alimentos. Como a presente safra de grãos é generosa (em torno de 140 milhões de toneladas) e prevê-se idêntico desempenho na seguinte porque até agora não existe aceno de fatores contrários , a situação brasileira é mais confortável que a de outros países ante a alardeada crise. É preciso ressaltar esta vantagem, porque é uma realidade e não utopia e nem descaso ante o abalo mundial do momento.
Está havendo aumento da área plantada e a manutenção da boa produtividade, e os temores da crise não chegam a ponto de intimidar os produtores rurais, especialmente na região que abrange Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, produtora de quase metade de toda a colheita nacional. A safra cafeeira será de 46 milhões de sacas, quase 10 milhões a mais que a anterior. Embora tenha havido pequenas quedas em algumas outras regiões, houve aumento não só na produção de grãos mas também de outros produtos.
O presidente Lula, contrariando a corrente dos catastrofistas, faz ao menos um discurso otimista com relação ao Brasil, o que é da boa política de um governante que tem em suas mãos tanta responsabilidade. Ele está certo quando alerta para a existência de uma crise de pânico, e recomenda que a população não deixe de consumir. Quem tem dívidas, que as pague, e quem não as tem e dispõe de dinheiro, que o gaste naquilo que necessita ele aconselha. Mas exagera quando diz que há gente no Brasil torcendo para o aprofundamento da crise, deixando supor que o estariam fazendo para prejudicar seu Governo. A crise se intensifica, oscila ou baixa de intensidade também pela disseminação de palavras, faladas e escritas dependendo de onde partem tanto que bastou uma declaração do presidente eleito Barack Obama, de que pretende lançar um pacote de investimentos anticrise, para imediatamente reanimar o mercado acionário em todo o mundo.
O que emanar do futuro presidente norte-americano (que assumirá dia 20 de janeiro mas já opera com sua equipe de transição) terá reflexos em todas as nações. Se foi um crack financeiro, ocorrido justamente nos EUA, que gerou a crise ora vivida, as palavras do futuro comandante da poderosa nação tem com toda a certeza poderoso efeito inverso. O presidente Lula fala da crise de pânico e os analistas mais sensatos afirmam com outras palavras, mas querendo dizer a mesma coisa, que se instalou uma crise de confiança. No Brasil, o otimismo de Lula só não consegue frear a rigidez dos bancos oficiais, que ao invés de facilitar as coisas estão dobrando as exigências de garantias nas operações de crédito.





