Boa paga para uma só reunião mensal
O fato pode parecer irrevelante diante dos tantos abusos governamentais, mas a questão é mais de moralidade e de respeito ao trabalhador do serviço pesado deste Brasil, que ganha tão pouco. Fala-se dos conselheiros de empresas estatais, que por apenas uma reunião mensal e de pouca duração recebem ganhos de R$ 1.200 a até R$ 3.300. Isto no âmbito dos municípios, porque nas esferas estadual e federal os valores são bem mais altos.
Fazendo-se um exercício virtual de equivalências, isto significaria o correspondente a um ganho imaginário de R$ 36 mil ao mês no primeiro caso e de R$ 99 mil no segundo. Um pagamento de R$ 50 por sessão seria de bom tamanho, tendo o sentido de uma verba apenas de representação, porque a missão poderia ser até gratuita se houvesse espírito público. Mas o vício governamental transforma essa função em polpuda mordomia. E é o povo que paga, porque tudo recai sobre a fatura mensal dos serviços ou produtos pertinentes.
Oferecer o úbere pleno para apaniguados mamarem é uma generosidade da máquina pública, porque amealhar dinheiro não lhe custa esforço e até porque ele não lhe pertence. Se a necessidade de conselhos é do sistema empresarial, tais conselheiros públicos diferente da empresa privada na verdade pouco acrescentam. Eles podem existir mas não com tais ganhos, pois se trata de dinheiro do povo e é preciso zelar por ele. A moralidade é necessária nas pequenas e nas grandes coisas, e que não que se solte as rédeas desbragadamente, porque isto é uma afronta aos milhões que ganham tão pouco por serviços arriscados ou de muito esforço físico e por muitas horas diárias trabalhadas. Se empresas particulares de mais envergadura investem em nomear conselheiros de seu interesse, escolhidos segundo as naturais conveniências e pagando-lhes o que desejarem, não pode ocorrer o mesmo com as empresas públicas. Nesses casos, ganhos elevados são uma forma de favorecimento e se assemelham nepotismo.
Daí ler-se manchetes nos jornais do tipo conselheiros são loteados por apadrinhamento, nas empresas públicas, e isto acontece em Londrina, no Paraná inteiro e em todo o território nacional. Abusos que passam até despercebidos pela opinião pública, mas eles são flagrantes e se somam às práticas do gênero comuns na vida pública brasileira. Um desrespeito à população.





