BNDES financia grandes frigoríficos
O Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES) perdeu o ''S'' de Social no governo Lula, ao financiar grandes indústrias como os frigoríficos JBS e no Marfrig, dias atrás. Segundo analistas e concorrentes, são grandes empresas que poderiam se virar sozinhas. E quem acredita que o governo Lula transfere renda dos ricos para os pobres perde a crença e o encanto ao conhecer a generosa transferência para grandes empresas privadas em operações intermediadas pelo BNDES.
Seguinte: A estratégia do governo de turbinar frigoríficos para transformá-los em gigantes mundiais está prestes a bater a marca de R$ 18,5 bilhões recebidos do BNDES. A maior parte desse dinheiro vem sendo aplicado no JBS e no Marfrig para financiar uma campanha agressiva de aquisições de concorrentes no Brasil e no exterior. Até agora, o banco estatal já desembolsou R$ 16 bilhões com o setor - R$ 6 bilhões em empréstimos e R$ 10 bilhões na aquisição de participação acionária, conforme os repórteres David Friedlander e Raquel Landim.
Empresários do setor, que pedem anonimato por medo de contrariar o governo, questionam a escolha dos parceiros do BNDES. Cerca de três anos atrás, outro frigorífico importante, o Minerva, procurou o banco na tentativa de conseguir apoio para sua expansão. Saiu de mãos vazias. Enquanto isso, apoiado pelo banco estatal, o JBS tornou-se o maior produtor de carne processada do mundo. No setor, circula a versão de que um dos pontos fortes de JBS e Marfrig são suas conexões políticas.
O setor já foi investigado por prática de cartel. Em 2007, o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) condenou os frigoríficos Bertin, Minerva, Franco Fabril e Mataboi por manipularem os preços pagos aos pecuaristas. O Friboi (atual JBS) selou acordo para encerrar as investigações e pagou R$ 13,7 milhões de multa. O Bertin foi incorporado pelo JBS no ano passado.
Nos últimos quatro anos, a BNDESPar investiu mais de R$ 40 bilhões na compra de participações em empresas de setores como telecomunicações, celulose e energia. Cerca de 25% disso foi parar em apenas quatro frigoríficos. A instituição tem 21% do capital do JBS, 14% do Marfrig, 22% do Independência (em recuperação judicial) e uma pequena fatia, de 2,6%, na Brasil Foods (fusão de Sadia e Perdigão).





