Biogás: uma oportunidade estratégica para o Paraná
Com iniciativas promissoras, Estado pode se tornar referência no setor se consguir transformar conhecimento em escala produtiva
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de maio de 2026
Com iniciativas promissoras, Estado pode se tornar referência no setor se consguir transformar conhecimento em escala produtiva
Folha de Londrina 
O avanço das pesquisas e das iniciativas voltadas ao biogás e ao biometano recoloca o Paraná em uma posição relevante no debate sobre segurança energética e competitividade econômica. Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica, pressão sobre custos de insumos e busca por descarbonização, fontes energéticas locais e renováveis ganham valor estratégico.
O Estado reúne condições objetivas para ocupar protagonismo nesse segmento. A forte presença das cadeias de proteína animal, especialmente suínos, aves e leite, garante uma oferta abundante de matéria-prima para a produção de biogás. Trata-se de uma vantagem comparativa clara, que pode ser convertida em ganho competitivo se houver coordenação entre pesquisa, investimento e políticas públicas.
Nesse contexto, iniciativas como o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) do Biogás, envolvendo universidades, centros tecnológicos e o setor produtivo, representam um passo relevante. O diagnóstico detalhado da cadeia, aliado à análise de experiências internacionais, tende a reduzir incertezas e orientar decisões de longo prazo. Com o potencial mapeado, o desafio será transformar conhecimento em escala produtiva.
Os ganhos possíveis são múltiplos. No campo energético, o biometano pode substituir parcialmente o diesel na logística, reduzindo custos e emissões. No agronegócio, a biodigestão transforma resíduos em insumos, com impacto direto na dependência de fertilizantes importados. Há ainda efeitos indiretos, como a diversificação de renda no meio rural e o estímulo à inovação industrial.
Apesar do potencial, os entraves são conhecidos. A distância entre produção e consumo, a necessidade de infraestrutura e a ausência de um ambiente regulatório plenamente consolidado exigem coordenação. Projetos como os corredores de biometano indicam um caminho, mas dependem de escala e previsibilidade para atrair investimentos.
A experiência recente mostra que avanços em energia no Brasil costumam resultar da combinação entre planejamento público e iniciativa privada. Foi assim com o etanol e com o pré-sal. No caso do biogás, o Paraná parte com ativos relevantes, mas ainda precisa consolidar uma estratégia capaz de integrar produção, distribuição e consumo.
O biometano se apresenta como um ativo capaz de ampliar consideravelmente nossa competitividade. Transformar essa promessa em realidade dependerá da capacidade de o Estado alinhar ciência, mercado e política pública em torno de um objetivo comum.
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