O avanço das pesquisas e das iniciativas voltadas ao biogás e ao biometano recoloca o Paraná em uma posição relevante no debate sobre segurança energética e competitividade econômica. Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica, pressão sobre custos de insumos e busca por descarbonização, fontes energéticas locais e renováveis ganham valor estratégico.

O Estado reúne condições objetivas para ocupar protagonismo nesse segmento. A forte presença das cadeias de proteína animal, especialmente suínos, aves e leite, garante uma oferta abundante de matéria-prima para a produção de biogás. Trata-se de uma vantagem comparativa clara, que pode ser convertida em ganho competitivo se houver coordenação entre pesquisa, investimento e políticas públicas.

Nesse contexto, iniciativas como o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) do Biogás, envolvendo universidades, centros tecnológicos e o setor produtivo, representam um passo relevante. O diagnóstico detalhado da cadeia, aliado à análise de experiências internacionais, tende a reduzir incertezas e orientar decisões de longo prazo. Com o potencial mapeado, o desafio será transformar conhecimento em escala produtiva.

Os ganhos possíveis são múltiplos. No campo energético, o biometano pode substituir parcialmente o diesel na logística, reduzindo custos e emissões. No agronegócio, a biodigestão transforma resíduos em insumos, com impacto direto na dependência de fertilizantes importados. Há ainda efeitos indiretos, como a diversificação de renda no meio rural e o estímulo à inovação industrial.

Apesar do potencial, os entraves são conhecidos. A distância entre produção e consumo, a necessidade de infraestrutura e a ausência de um ambiente regulatório plenamente consolidado exigem coordenação. Projetos como os corredores de biometano indicam um caminho, mas dependem de escala e previsibilidade para atrair investimentos.

A experiência recente mostra que avanços em energia no Brasil costumam resultar da combinação entre planejamento público e iniciativa privada. Foi assim com o etanol e com o pré-sal. No caso do biogás, o Paraná parte com ativos relevantes, mas ainda precisa consolidar uma estratégia capaz de integrar produção, distribuição e consumo.

O biometano se apresenta como um ativo capaz de ampliar consideravelmente nossa competitividade. Transformar essa promessa em realidade dependerá da capacidade de o Estado alinhar ciência, mercado e política pública em torno de um objetivo comum.

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