Biodiesel ainda não é o ideal
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terça-feira, 03 de abril de 2007
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
A coordenadora do grupo de pesquisa em biodiesel do Iapar, Dalziza de Oliveira, defende que, além de atender a frota em escala nacional, é preciso encontrar espaço para que comunidades agrícolas possam se beneficiar da produção do biodiesel. ''É importante perceber que a questão das energias renováveis é um processo irreversível. Mas é preciso questionar, participar, para que o poder econômico não dite todas as regras.''
Nos meios científicos, a discussão é que o biodiesel e o álcool venham preencher uma lacuna nos próximos 30, 40 anos. ''A partir daí, espera-se que haja opções mais limpas, que o carro a hidrogênio se viabilize, e que se utilize muito mais a energia solar, das marés e eólica.''
Quais as vantagens do biodiesel, além de ser renovável?
As sobras da extração do óleo, aquela torta ou farelo (sobra depois da prensagem e retirada do óleo), serve para a alimentação - em alguns casos até a alimentação humana. O que sobra da extração do óleo do amendoim, por exemplo, é uma paçoca. No caso do girassol, algodão, soja, a sobra é comestível para o gado.
A produção para o biodiesel não vai comprometer o abastecimento?
Existe sim o problema de competir com a produção de alimentos. Alguns estudos já mostram isso. Uma cientista coreana diz que o aumento da produção de biodiesel e álcool já afeta o preço dos alimentos e vai atingir a população mais pobre. O fato dos EUA falar em etanol de milho já aumentou o preço. Com certeza, isso se reflete no preço dos suínos, aves e ovos. Talvez, com o tempo, os valores voltem a um patamar razoável.
Todas as oleagenosas podem ser utilizadas?
O Iapar resolveu abrir o leque. No início, só se falava de biodiesel com soja e girassol. Procuramos outras opções para fugir das commodities. Hoje, pesquisamos mamona, pinhão manso e tungue, que são espécies perenes, além do nabo forrageiro e da canola. Algumas delas, como a canola e o girassol, gostaríamos que entrassem no processo para baratear o óleo para o consumo doméstico, e assim liberar outros menos nobres para a produção de biodiesel.
A indústria pode acabar optando pelas culturas já adaptadas?
Num primeiro momento. O biodiesel só se viabiliza com a soja porque leva tempo para estruturar toda a cadeia de produção das outras culturas. Mas os produtores também já estão alertas para a necessidade de buscar outras opções, porque trabalhar com commodities, que são as bolsas internacionais que definem o preço, é loucura. Se a matéria-prima for cara, fica difícil produzir biodiesel.
Como está a pesquisa do Iapar?
Estamos trabalhando mais fortemente nos dois últimos anos, quando conseguimos algum recurso financeiro para viabilizar os projetos. Precisamos de equipamentos e estrutura física, porque, além de estudar a matéria-prima, estamos estudando alguns sistemas de prensagem, para ver como o pequeno e o médio produtores poderiam fazer uso disso. Temos muita esperança que as empresas, além dos grãos, comprem também o óleo do produtor.
E a comercialização?
O governo precisa pensar melhor essa questão. Por enquanto, a única opção de comercialização é através dos leilões em que a Petrobrás compra para garantir os 2% que devem ser adicionados ao combustível em 2008. E o que está sendo ou for produzido além disso? Vai ser vendido como? Para quem? São questões que ainda não estão respondidas.
Biodiesel só pode ser produzido com grãos?
Não. Já existem empresas fazendo experiências com gordura animal e também com óleo comestível usado. Alguns frigoríficos estão utilizando o sebo e a gordura para essa produção. Esse material tem um potencial enorme, e ajuda a resolver um problema ambiental.


