Bin Laden e as humilhações norte-americanas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Valmor Bolan 
Desde o triste dia 11 de setembro, o Taleban ganhou espaço na mídia internacional. Ao abrigar o terrorista Osama bin Laden, o Afeganistão passou a ser o alvo principal dos Estados Unidos, que prometeu retaliar duramente contra aqueles que causaram os piores atentados em toda a história.
Dessa vez, a batalha não será fácil. Isso porque o inimigo não tem um rosto bem definido. Não se trata de uma guerra convencional, de um Estado contra o outro. O mal a ser combatido é o terrorismo, que está organizado no mundo inteiro, com adeptos em diversos países.
Ao atacar o Afeganistão, os Estados Unidos podem se ver atacados, por dentro, pelos terroristas que vivem em território norte-americano. E o temor maior é que sejam utilizadas armas químicas, atingindo milhares de pessoas em grandes centros urbanos.
Os Estados Unidos estão cientes de que vivem uma situação sem precedentes, e uma falha operacional pode acarretar em danos ainda maiores de vidas humanas. Por isso, num primeiro momento, tenta-se atacar o terrorismo pela via econômica, minando o acesso aos recursos financeiros, inviabilizando assim os investimentos na infra-estrutura da violência.
Esta é uma atitude de grande sabedoria, surpreendente num povo como o norte-americano, historicamente acostumado a ser imediatista e em dar respostas agressivas àqueles que ferem seus interesses.
Esta experiência tem sido uma dura lição para os norte-americanos, o que poderá forçar, digamos assim, que sejam menos arrogantes, daqui para frente. Aliás, a história recente dos Estados Unidos tem sido uma sucessão de humilhações, que tem levado muitos a repensarem seu ''estilo de vida'' e serem menos soberbos.
O escândalo sexual de Bill Clinton com Mônica Lewinski foi - do ponto de vista mortal - um vexame para quem ocupava o cargo político mais importante do planeta. Muitos norte-americanos chegaram a ficar envergonhados do presidente, sem saber o que dizer aos seus filhos, especialmente, às crianças, sobre toda aquela situação. Se o mandatário principal do país agia assim, por que os adolescentes e jovens deveriam fazer diferente?
Depois o aumento da violência nos Estados Unidos tem sido assustador. Alunos matando colegas de sala de aula e professores, e tantos outros crimes hediondos vêm sendo manchetes na grande imprensa, constantemente.
Outra grande humilhação para o orgulho americano foi a falha no processo eleitoral da maior democracia do mundo, que obrigou a recontagem de votos e a sensação de que Bush não estava sendo o representante da vontade geral. A própria morosidade no processo de recontagem de votos foi, inclusive, motivo de chacota em quase todos os países do mundo.
Finalmente, os atentados do dia 11 de setembro se converteram num murro que quebrou a espinha dorsal do orgulho norte-americano, doendo fundo. O que aconteceu foi gravíssimo. Os Estados Unidos nunca serão os mesmos depois daquele terrível dia.
Todos estão agora na expectativa do desenrolar dos acontecimentos, esperando que os responsáveis pela tragédia em Nova York e Washington sejam encontrados e punidos. Mas que a sede de vingança não vitime outras pessoas inocentes, principalmente, a população civil afegã.
Quem sabe toda esta crise seja capaz de despertar sentimentos de solidariedade e sabedoria, capazes de ações eficazes no combate ao terrorismo, sem os imediatismos cruéis da violência. É para isso que torcemos e rezamos. Que a paz não seja uma utopia, mas uma realidade possível de ser alcançada, para o bem de todos.
- VALMOR BOLAN é professor e dirigente de instituição de ensino superior em São Caetano do Sul
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