Beto já é nome forte para Governo do Estado
Um fato relevante nas eleições do Paraná é que a esmagadora vitória de Beto Richa (PSBD) o coloca em patamar elevado para concorrer ao Governo do Estado em 2010. Embora ainda faltem dois anos, a oportunidade apresenta-se promissora porque Beto também já foi testado em eleição estadual e eleito e reeleito deputado estadual em 1994 e 1998. O fato de ele haver nascido em Londrina (segundo maior colégio eleitoral) poderá eventualmente gerar simpatia também do eleitorado local.
A renovação de 70% da Câmara Municipal foi um gratificante resultado, com 13 nomes novos, e não há dúvida de que isto ocorreu face aos escândalos de corrupção envolvendo grande número de vereadores. A varredura dos denunciados não foi total, mas significativa, demonstrando uma graduação no comportamento político do eleitorado.
Maringá decidiu a eleição no primeiro turno reelegendo Sílvio Barros II (PP). Ele é o primeiro prefeito reeleito no município. Sua votação quase triplicou o número de votos dados ao 2º colocado, o petista Enio Verri. A Câmara foi renovada em 50%. E fato curioso Susumo Itimura (PSDB), com 90 anos de idade e reeleito em Uraí, consagra-se como o prefeito mais velho do mundo no exercício da função.
O governador Roberto Requião, do PMDB, foi um grande perdedor nas maiores cidades, pois em Curitiba e Londrina os candidatos do seu partido tiveram baixíssima votação. O partido também não ganhará em Ponta Grossa (pois o PMDB está fora do segundo turno) e não ganhou em Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Paranaguá. Houve boa vitória do PMDB nos pequenos municípios da Região Metropolitana de Curitiba, mas não em São José dos Pinhais, que compõe umbilicalmente o núcleo urbano da capital, nem em Colombo e Piraquara.
No Brasil, o avanço tecnológico do processo eleitoral foi maior que a evolução política dos candidatos e do próprio eleitorado, porque administrações públicas e parlamentos estão marcados por muitas histórias de corrupção. Mas o sistema de urnas eletrônicas já alcançou um nível elevado de perfeição e recebeu elogios dos observadores de outros países que vieram ao Brasil. E já foi testada em três estados a urna biométrica, que funciona pela impressão digital do eleitor. Os R$ 462 milhões gastos na organização das eleições em todo o Brasil eram previsíveis, e pelo depoimento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, tudo transcorreu sem nenhum incidente grave.





