Em campanha eleitoral, o presidente Lula tem tomado medidas que beneficiam mais as classes pobres, mas a dinamização da economia ocorre por muitas vias e uma delas é a empresa rentável e consolidada, que dá empregos, recolhe impostos e multiplica riquezas. E quanto mais intensamente a roda da atividade produtiva girar, mais pessoas serão beneficiadas. Com essa dinâmica se robustecendo, chegará o dia em que as bondades governamentais poderão ser dispensadas. Há meses o Governo vem lançando pacotes recheados de benesses aos pobres. Um deles, o aumento do salário mínimo, e isso beneficiou 40 milhões de brasileiros. Outra medida de alcance popular foi o reforço do programa Bolsa Família, o que elevou o poder de compra da imensa legião favorecida. Houve também um estímulo para a compra ou construção da casa própria, pela abertura de mais crédito para esse fim e pela diminuição do imposto sobre os produtos utilizados nesse tipo de obra. Tudo isto é importante, porque beneficia tanta gente necessitada nesta nação de muitos pobres, e também favorece o desenvolvimento. Mas será necessário atender também os geradores de renda, que são os empresários grandes e pequenos porque são os que sustentam vagas de trabalho. E com salário, o indivíduo não cai na penúria que o leva a depender da caridade pública. Aliviar a carga dos impostos, que tange duramente as classes produtoras e de serviços, seria uma providência de mais alcance social do que o instituto do Bolsa Família e outros modos de assistência. Porque, com empresas fortes, há mais oferta de trabalho e de ganho, sem o risco da dependência do assistencialismo, que humilha o cidadão e o mantém sempre em estado de necessidade. Uma nação não pode sustentar-se por esses métodos, mas sim pela produção de cada um, gerada pelo seu trabalho e a consequente renda. O presidente-candidato, ao atender prioritariamente aos carentes, cumpre promessas da campanha que o guindou ao poder e busca a reeleição pela mesma estratégia. Com isso faz um bem para esses necessitados, mas deve saber que não pode dificultar a vida das empresas estabelecidas e aniquilá-las pelo excessivo peso dos impostos e por entraves burocráticos. Porque dessa forma dá com uma mão e tira com a outra, uma prática de risco. Se as empresas continuarem mal, o número de pobres aumentará e não haverá Bolsa Família que aguente. Se a ajuda for só aos mais fracos, sem o correspondente fortalecimento dos médios e fortes, nem aqueles e nem estes subsistirão.

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