A Marcha Contra a Venda da Copel chega hoje a Curitiba para que o povo paranaense exerça a cidadania em sua plenitude. Esse movimento da sociedade civil organizada vem coroar o que existe de mais democrático em nosso Estado de Direito, ao protocolar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que proíbe a alienação das ações da Copel (Companhia Paranaense de Energia). Os paranaenses vêm entregar aos deputados estaduais, ao todo, mais de 180 mil assinaturas pedindo a suspensão imediata da venda de seu patrimônio construído com muito trabalho.
O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (CREA-PR) sente-se orgulhoso de estar completando hoje, num momento histórico de civismo e paranismo, 67 anos de existência. Orgulha-se também de ter ajudado, com o altruísmo de seus profissionais, a construir um Estado moderno e eficiente principalmente no que tange o desenvolvimento de empresas públicas altamente competitivas, a exemplo da Copel e de tantas outras, ao longo dos tempos.
Não seria nesse momento de luta em defesa da sociedade que o CREA iria faltar à sua responsabilidade social e ao seu papel historicamente determinado: o de construir e construir, alavancar os alicerces de uma sociedade mais justa e fraterna; defender os interesses do povo, sobretudo, seu patrimônio edificado com muito suor, dedicação e amor ao Paraná. Quem vê um filho crescer, ficar robusto, como é caso da Copel, o defende com paixão e razão. Quem ama de verdade não entrega e não vende um filho.
Além do mais, a Copel sendo sempre nossa é a garantia de que nunca ela nos deixará no escuro, nas trevas... As privatizações ocorridas no setor elétrico País a fora não deram certo e, por isso, boa parte das cidades e das indústrias deverão sofrer com a escassez de energia. O Paraná, ao contrário, é auto-suficiente e produz excedente desse produto abstrato e essencial à geração de conforto e riqueza. Poderá o nosso Estado, a partir da energia, atrair empregos e desenvolver um novo ciclo econômico com matrizes limpas e renováveis.
Mas para que isso ocorra é preciso uma visão estratégica desenvolvimentista clara, utilizando o conhecimento tecnológico adquirido pela engenharia paranaense que, inclusive, é exportada aos países da América Latina, China, entre outras nações. É preciso que o Estado se mantenha em setores estratégicos aos interesses dos cidadãos, como no da energia, no fomento aos empreendimentos que envolvam infra-estrutura. Pois não é de hoje que a história nos dá ricos exemplos de que a iniciativa privada não tem recursos suficientes para investir em obras de porte que estimulem a cadeia produtiva como um todo.
A energia que move as forças produtivas brasileiras não deve ser tratada como uma mercadoria, um fetiche apenas, que fique ao sabor do mercado e de suas leis draconianas, ou seja, a lei da oferta e da procura. O caso da Califórnia (EUA) – e deverá ser praxe em alguns estados no Brasil! – ilustra bem a situação. Quanto mais falta energia, maior é o preço ao consumidor. O interesse do mercado é o do lucro somente. Achar que o mercado vai investir na geração de energia para o conforto das pessoas é um sonho de verão.
O CREA parabeniza a todos os que se manifestaram de alguma forma contra a venda da nossa empresa de energia, especialmente as posições corajosas e cívicas das entidades que representam o setor produtivo, que compreenderam a dimensão exata da gravidade da crise energética e do papel estratégico da Copel no desenvolvimento do Paraná.
Bem-vinda a Curitiba, cidadania. A Copel é nossa!
- LUIZ ANTONIO ROSSAFA é presidente o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (CREA-PR) e membro da coordenação do Fórum Popular Contra a Venda da Copel

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