BEM NO EMPREGO - Trabalho e satisfação: uma equação impossível?
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Não há dúvidas: o nosso tempo está cada vez mais dedicado ao trabalho. As tarefas, prazos e pilhas de papel se acumulam como se fossem um só, se convertendo, muitas vezes, em uma bola de neve. Não à toa, recentes estudos confirmam: 84% dos 1,1 mil executivos brasileiros são infelizes na carreira.
Como inverter a balança e conciliar trabalho e satisfação? Consultora de relacionamento, escritora e palestrante, Regina Vaz acredita que, para o funcionário se sair bem no cada vez mais competitivo mercado de trabalho, auto-estima elevada, otimismo e satisfação têm de caminhar juntas. E deixa claro: os funcionários 'puxa-sacos' ou extremamente servis não têm vez!
Em meio a e-mails, ligações, ramais e pilhas de papel, como uma pessoa pode ter equilíbrio no trabalho?
Ela tem que lembrar o seguinte: se trabalhar 24, 36, 48 horas direto, sem dormir, sem tomar banho e sem levantar da mesa, o serviço não vai acabar. Para a pessoa não ser engolida pelo trabalho, considero importante ter uma agenda extremamente bem organizada e não fazer encaixes nessa agenda. Saber separar o que de fato é importante e o que são exigências de um chefe afobado. Às vezes o chefe é muito ansioso e quer tudo para ontem.
Como agir diante desses chefes que querem tudo para ontem?
Não deixar para a última hora as tarefas é uma boa dica. Devemos sempre ser mais práticos e objetivos e não deixar as coisas para amanhã: o trabalho pintou na mesa da pessoa, ela resolve! Se as coisas não forem resolvidas, tudo se torna um bolo de neve. A hora do almoço é importantíssima, pois é o momento que você sai, relaxa, espairece suas idéias e pensamentos, vislumbra outros horizontes e tem capacidade de voltar e ficar mais focado. O planejamento resulta num trabalho mais eficaz e na ausência da gastrite e do cansaço, por exemplo. O planejamento é oposto à sensação típica de final de dia de 'carreguei o mundo nas minhas costas'.
Recente estudo trouxe que 84% dos 1100 executivos brasileiros são infelizes na carreira...
O que eu vejo, hoje, é que as pessoas não têm muita paixão pelo trabalho. E a pesquisa reforça exatamente isso. As pessoas se pautam em uma busca econômica, querendo sempre mais dinheiro, e adotam como lema os típicos 'ruim ao lado do meu chefe, pior sem ele'. Com tantas pessoas desempregadas no mercado, é preferível ficar num emprego em que não se está feliz a ficar desempregado. A pessoa se acomoda naquela situação.
E como virar o jogo?
Se você não está feliz com seu trabalho, você tem dois caminhos: a primeira opção é buscar algo que o realize profissionalmente, em um novo local. A segunda é ver seu trabalho de outra forma e suscitar a pergunta: 'como eu posso fazer as coisas de um modo mais criativo em meu trabalho atual?'. O arrojo tem de ser na dose exata e dentro das possibilidades.
É preciso (e possível) dizer não?
O 'não' foi feito para ser dito. Não acredito em quem só diga 'sim' continuamente como vaquinha de presépio, as empresas não querem aquele profissional puxa-saco. Não podemos também cair naquele extremo que são aqueles funcionários que questionam tudo. Acredito que há momentos em que se tem que falar 'não' e outros em que se deve adotar o 'sim'. É um trocadilho, mas é necessário: esse não é possível de ser feito. Um exemplo: se tenho um trabalho para entregar e meu chefe outro para dali a 40 minutos, devo argumentar dizendo o que estou desenvolvendo e perguntando qual é de maior importância. Mais uma vez a organização faz toda a diferença.


