''Bem aventurados aqueles que compreendem meus passos vacilantes e minhas mãos trêmulas. Bem aventurados os que levam em conta que meus ouvidos captam as palavras com dificuldades por isso procuram falar mais alto e pausadamente.
Bem aventurados os que percebem que meus olhos já estão nublados e minhas reações são lentas. Bem aventurados os que nunca me dizem ''Você já me contou isso tantas vezes''. Bem aventurados os que desviam o olhar, simulando não ter visto o café que por vezes derramo sobre a mesa. Bem aventurados os que sorriem e conversam comigo.
Bem aventurados os que sabem dirigir a conversa e as recordações para as coisas dos tempos passados. Bem aventurados todos aqueles que me dedicam afeto e carinho, fazendo-me assim pensar em Deus. Quando entrar na Eternidade, lembrar-me-ei deles, junto do Senhor.
Bem aventurados os que me ajudam a atravessar a rua e não lamentam o tempo que me dedicam. Bem aventurados os que me fazem sentir que sou amado e não estou abandonado, tratando-me com respeito. Bem aventurados os que amenizam os meus últimos anos sobre a terra.
Bem aventurados os filhos que sabem manter o respeito com os seus pais em suas casas. Bem aventurados os filhos que não deixam faltar o pão de cada dia aos seus pais se os pais possuirem bens um dia será dividido para você. Bem aventurados os filhos que amam os pais e não os empurram para o asilo.
O que você possui de bondade e dedicação foram seus pais que te deram para fazer-te um cidadão''. Liberti Bonafini

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