Beleza
É preciso sofrer para ser bonita? Um tema polêmico, muito interessante a beleza um atributo mais valorizado pelo mundo feminino do que pelos homens, embora hoje em dia eles se mostrem muito preocupados com a sua aparência física.
Quando se fala em beleza, é difícil ou quase impossível se estabelecer um padrão universal. Mulheres que há 20 ou 30 anos foram admiradas pela beleza e pela sensualidade, hoje não teriam vez e seriam chamadas de gordinhas.
O corpo de Marilyn Monroe, cultuado nos anos 50, pouco tem a ver com o físico admirado hoje em dia, uma combinação de magreza com musculatura bem definida. Indo mais para trás no tempo, podemos tomar o exemplo das antigas tradições chinesas, que consideravam anormal e até criminoso o fato de uma mulher querer se tornar atraente. Elas eram proibidas de seduzir sexualmente o próprio parceiro. Isso mostra que cada cultura e cada época tem seus padrões, suas formas de agir e de pensar.
Entre os povos que vivem às margens do rio Nilo, os homens depilam o corpo inteiro. Para eles, os pêlos do corpo são considerados repugnantes, algo antierótico. Já em outras culturas, os pêlos chegam a ser vistos como sinônimo de virilidade. Além da variedade de padrões, a humanidade tem muitas maneiras de encarar a beleza.
Na cultura ocidental, aceita-se a idéia de pagar um preço alto pela beleza, seja em dinheiro, seja em sofrimento. E as mulheres ocidentais gastam fortunas para evitar ou para fazer sumir as rugas, para aumentar ou diminuir os seios, para remover as gordurinhas indesejadas. Gasta-se muito tempo, dinheiro e mesmo um certo sofrimento para se manter o corpo em forma. E se isso não bastasse, a preocupação com a aparência passou a ser sinal de status. Mulheres e homens deram ao Brasil o título de campeão mundial de cirurgias plásticas, ultrapassando os Estados Unidos.
Essa preocupação quase obsessiva tem relegado a segundo plano a chamada beleza interior, feita de sentimentos e espiritualidade. Por isso, hoje as pessoas se atraem e se aproximam mais em função do fascínio, da sedução e da aparência, sem nunca chegarem a se conhecer de verdade; são os chamados relacionamentos descartáveis, as pessoas apenas ficam.
É importante saber que para a manutenção de um relacionamento é necessário um envolvimento mais profundo na descoberta do que o outro tem de bonito, de interessante, de inteligente. Enfim, é a tal beleza interior que mantém aceso o desejo, a admiração e mesmo o próprio tesão. O interesse pela outra pessoa está fundamentado muito mais na beleza íntima, que valoriza os sentimentos, o caráter e uma certeza permanente de intensa troca afetiva.
É claro que a beleza física tem importância, e não podemos negligenciar os cuidados com a aparência e com a saúde. Quando a escolha ou a necessidade de uma cirurgia plástica se faz necessária, com o intuito de encontrar uma melhor harmonia e equilíbrio pessoal e não para esconder conflitos e inseguranças, é extremamente válida, tendo o cuidado na escolha de um profissional experiente.
É importantíssimo lembrar que deve sempre existir um equilíbrio entre a nossa realidade externa e o nosso mundo interior, que também é bonito e cheio de mistérios.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo





