Bebida nos estádios
As divergências a respeito da liberação da venda e do consumo de bebidas alcoólicas nos estádios durante os jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2014 prometem continuar rendendo discussões acaloradas. Há opiniões favoráveis e contrárias, no entanto, a questão é uma exigência da Federação Internacional de Futebol (Fifa), que firmou contrato de patrocínio com um fabricante de cerveja. O governo federal preferiu se esquivar da polêmica e passou a bola aos estados. E, por isso, é provável que a maioria deles autorize o comércio durante a ocorrência dos jogos.
A venda de bebidas havia sido proibida pelo Estatuto do Torcedor como uma tentativa de conter a violência nos estádios. Atualmente, entre os 12 estados que sediarão partidas do campeonato mundial, apenas quatro têm leis estaduais que proíbem esse tipo de comércio: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco. No entanto, praticamente todos admitem que seguirão orientações do governo federal e respeitarão o acordo firmado com a Fifa.
Independentemente da discussão a respeito da venda desse tipo de bebida, o Estatuto do Torcedor é anterior à decisão de sediar a Copa. É preciso respeitar a soberania do País e as leis anteriores. Exceções, neste caso, não deveriam ocorrer porque fazem transparecer a ideia de que o País é suscetível a qualquer tipo de pressão externa, que não respeita as próprias regras.
Na época, o Estatuto do Torcedor foi discutido com a sociedade e, há pouco mais de um mês da morte de um homem em uma briga entre torcidas, não parece que os brasileiros estão suficientemente maduros para essa liberação. Embora o clima da Copa do Mundo seja de festa e não de brigas, como afirmou o deputado estadual Stephanes Júnior (PMDB) ontem à FOLHA, outras torcidas também apresentam histórico de violência nos estádios. Por isso, o assunto deve ser discutido à exaustão e com o envolvimento da sociedade.





