Bebida e infrações
Talvez de maior repercussão em todo o país, neste ano, tenha sido a promulgação da Lei nº 11.705, de 19/06/2008, que veio para alterar o CTB, proibindo o consumo de praticamente qualquer quantidade de bebida alcoólica por condutores de veículos.
As penalidades para quem infringir esta Lei já são conhecidas e, para alguns, até pesadas demais, merecendo altas discussões no meio jurídico. Discussões jurídicas à parte, é sempre bom lembrar que não se está proibindo o uso de bebidas e, portanto, o livre arbítrio de cada um está sendo preservado. O problema deveria ser simples - dirigir sob qualquer influência do álcool.
Muito se comentou na mídia a respeito dos índices de acidentes automobilísticos, logo após a entrada em vigor da Lei ora comentada. Em alguns lugares, este índice diminuiu abruptamente; em outros, nem tanto. Mas, passado algum tempo sem que houvesse ampla fiscalização, o medo de ser pego foi embora e os índices voltaram ao patamar anterior, ou seja, altíssimo.
A realidade instaurada, no entanto, é de que referida Lei somente conseguirá atingir seu objetivo, que é a diminuição de acidentes de trânsito causados por motoristas embriagados, se houver mecanismos de fiscalização (uso de bafômetros e número de policiais suficientes para utilizá-los).
Interessante perceber como parece difícil acatar uma determinação legal pura e simplesmente! Interessante como as pessoas, de um modo geral, ficam mais preocupadas se serão pegas ou não e com o tipo de punição que poderão sofrer.
Assim, preocupam-se com a punição em si ou, ainda, até em mecanismos legais para se furtarem à aplicação da Lei ora comentada, como a utilização da defesa prevista na Constituição no sentido de que ninguém pode produzir provas contra si.
Resumindo, parece-nos que para a grande maioria, o importante não é infringir a Lei, mas não ser pego e, ainda, se isto correr, o que fazer para não sofrer a penalidade imposta por esta Lei.
Ora, se o consumo de bebidas alcoólicas é uma das principais causas de acidentes automobilísticos em nossas estradas, talvez devêssemos refletir um pouco mais antes de colocar a vida de uma pessoa em risco.





