Curitiba - Quem poderia imaginar um bebê de agenda cheia? Já é possível ter aulas de inglês, natação, balé, ginástica, artes plásticas e música, antes mesmo de aprender a falar. O número de escolas que oferecem esses cursos aumenta a cada dia. Os professores argumentam que essas atividades contribuem para o desenvolvimento da criança. Mas há médicos e terapeutas que criticam o início desse tipo de aprendizado tão cedo.
A musicalização e a natação para bebês são oferecidas a partir dos seis meses de vida, às vezes antes disso. Já para outras atividades, a idade indicada pelas escolas é a partir de um ano e meio em média. A pediatra Adriana Turin Mori diz que é preciso saber dosar essas atividades, para que a criança não fique cansada a ponto de não ter tempo, nem disposição para brincar. Em alguns casos, a atividade pode até ser terapêutica. No caso da natação, por exemplo, pode ser indicada para bebês com asma, mas é necessário estar atento a problemas como infecção urinária e de ouvido. ''Nunca tive esses problemas com nenhum paciente meu, mas é preciso monitorar isso'', diz.
Adriana também lembra que em casos de bebês com problemas de crescimento não é recomendável fazer balé ou ginástica, pois pode forçar as articulações. No caso de paciente com cardiopatias, é preciso ter a avaliação com um cardiologista. Em geral, segundo ela, essas atividades não têm contra-indicações. ''Acho a musicalização para bebês interessante porque é uma atividade lúdica, além disso tem a participação dos pais e se transforma num momento gostoso para pais e filhos'', avalia.
A psicopedagoga Isabel Parolim é totalmente contra as aulas para bebês. ''Isso é uma loucura. Criança tem que brincar. A formação acadêmica fica para depois'', ressalta. Ela considera que impor uma aprendizagem tão cedo significa antecipar coisas desnecessárias. ''O importante é viver cada fase. A primeira fase da infância é de estruturação do mundo e da linguagem'', explica. Segundo Isabel, é compreensível um bebê aprender outra língua quando a família está vivendo em outro país, ou quando pai e mãe falam línguas diferentes, mas não desnecessariamente.
''Em tese, para serem equilibradas, as pessoas devem viver suas fases de desenvolvimento, e só depois de vencer uma etapa ir para outra'', explica. Segundo a psicopedagoga, até os dois anos a criança ainda não está voltada para o mundo, sendo muito egocêntrica. Elas pensam que o mundo existe para elas. ''Coitadas das crianças que não podem mais ter infância'', lamenta. O reflexo mais comum, segundo Isabel, é ter crianças de cinco anos que não suportam mais a escola. Ela considera que o ideal é expor a criança à música, brincar de dançar, brincar com a água, mas nada com o compromisso de aprender.

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